Especialistas avaliam que Dodge não deve fazer mudanças radicais na PGR

Em nota, procuradores afirmam que a futura procuradora-geral da República tem amplo apoio de toda a categoria

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postado em 01/07/2017 08:00

Minervino Junior/CB/D.A Press
Independentemente dos motivos que fizeram o presidente Michel Temer escolher a subprocuradora-geral da República Raquel Dodge para substituir Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República (PGR), um dos principais questionamentos que se faz é qual a força que o chefe da instituição tem para interferir na Operação Lava-Jato. O poder é muito grande, já que ela é responsável pela estrutura organizacional e orçamentária da PGR, mas, é consenso entre procuradores e analistas  que a investigação ganhou vida própria e, qualquer movimento brusco, é improvável.

 

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Ao assumir o comando da PGR, obviamente, Raquel mudará peças da equipe para colocar pessoas de sua confiança ao seu lado, mas durante a campanha, a própria subprocuradora garantiu que não fará grandes alterações e ressaltou o desejo de reforçar e ampliar a Lava-Jato. “É natural que ela troque algumas peças, mas a memória será mantida. O grupo de trabalho que assessora o Janot sofreu várias mudanças ao longo dos anos. Entra um, sai outro, mas a base da seleção se mantém”, comenta um integrante da força-tarefa.

O advogado constitucionalista Marcus Pessanha explica que, como o Ministério Público Federal tem autonomia funcional, por mais que cada procurador esteja hierarquicamente subordinado ao procurador-geral, não pode haver interferência nos processos. “Mas ela terá a prerrogativa administrativa e organizacional da carreira. Ou seja, se quiser trocar um por um, ela pode. Só que isso seria quebrar uma regra de transparência dentro da carreira, algo autoritário que nunca existiu na história da instituição”, comenta Pessanha.

O especialista acrescenta que é pouco provável que Raquel promova uma grande interferência na operação. “No papel, ela pode muita coisa, mas tem muitas questões políticas envolvidas. Hoje em dia, cada vez mais as instituições estão pautadas pela opinião pública, pelo senso comum do que a população tem entendido como certo ou errado”, diz Pessanha, que viu na indicação uma importante renovação nos ares na instituição.


Compromisso

Na tarde de ontem, por meio de nota, o Grupo de Trabalho da Operação Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República ressaltou o compromisso com a continuidade dos trabalhos, independentemente da escolha de Raquel Dodge. “Os procuradores lembram que exercem sua função com profissionalismo e imparcialidade e que vão seguir em sua missão constitucional com serenidade e firmeza, como se espera de todos os representantes do Ministério Público”, diz trecho do documento.

Para um dos integrantes da investigação, as críticas são naturais e resistências isoladas e localizadas acontecerão, mas Raquel tem amplo apoio da categoria. “Raquel teve enorme votação, ou seja, tem o apoio da classe. Oposição haverá. E é bom que tenha, como também é bom que tenha vigilância e cobrança internas e externas. Como dizia meu avô, temos que confiar conferindo.”
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deusdede
deusdede - 01 de Julho às 10:00
Vai sujar o curriculum que é tão belo, para ser um pau mandado. É de se lamentar