Governo age com força máxima para derrubar denúncia contra Temer até sexta

Estratégia é conseguir a suspensão das discussões e a votação imediata do relatório do deputado Sérgio Zveiter, que sofre pressão para deixar o PMDB

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postado em 12/07/2017 06:00 / atualizado em 12/07/2017 07:05

Cleia Viana /Camara dos Deputados


O governo ativou o rolo compressor para derrubar até sexta-feira, no plenário da Câmara, o pedido de abertura de investigação contra o presidente Michel Temer. Alegando que termina hoje o prazo de cinco sessões para a análise do relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), os governistas pedirão a suspensão das discussões e a votação imediata do texto do peemedebista. Enquanto isso, a Executiva nacional do PMDB aperta o torniquete para fechar questão contrária ao relatório. Quem descumprir poderá até ser expulso do partido.

 

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O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), solicitou ontem ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma prorrogação de três sessões na CCJ para cumprir o acordo firmado entre os partidos segundo o qual os 66 titulares e os 66 suplentes, além de 40 deputados contrários, e favoráveis ao processo contra Temer, possam se pronunciar. “Não dá para votar essa matéria sem debate”, disse Pacheco.

Maia não quis arrumar confusão e lembrou que os próprios deputados firmaram o acordo de procedimentos para que todos falassem. A estratégia dos governistas passou a ser, então, reduzir ao máximo o número de inscritos alinhados ao Planalto. “Eu defendo que falem os líderes e uns poucos parlamentares que tenham argumentos jurídicos para contrapor o relatório de Zveiter”, afirmou o deputado Fausto Pinato (PP-SP). “Queremos derrubar a acusação contra o presidente na sexta ou, no mais tardar, na segunda”, completou o vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS).

Pacheco acredita ser possível votar na CCJ o relatório, no mais tardar, na quinta-feira à noite. Com isso, é viável, caso Maia deseje, analisar o assunto ainda na sexta. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), marcou para a segunda-feira uma sessão do Congresso para analisar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Caso seja aprovada, os congressistas poderão entrar em recesso parlamentar.

Maia pediu que os deputados fiquem para votar a denúncia contra o presidente Michel Temer antes do recesso. “O Brasil não pode esperar mais. Temos que resolver isso para andar com as reformas que vão mudar o país. Nós precisamos resolver isso. Faço um apelo aos membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para que possam avançar e respeitar qualquer acordo que tenha sido feito. A Câmara não tem condições de votar a denúncia sem o parecer da comissão. O país não pode esperar até agosto para que esse assunto seja decidido”, justificou.

Enquanto isso, o PMDB fecha o cerco aos infiéis. O líder da bancada, Baleia Rossi (SP), pediu ao presidente nacional da legenda, senador Romero Jucá (RR), que marcasse uma reunião da Executiva do partido. “Não estamos decidindo isso para fazer marola”, afirmou o vice-líder do PMDB na Casa, Carlos Marun (MS). Ele defendeu que aqueles que se sentirem insatisfeitos, como o próprio Zveiter, que deixem o partido. Existe, inclusive, pressão para que o relator da denúncia deixa a legenda.

Marun calculou que a grande maioria da bancada acatou a decisão de se fechar questão, e chegou a falar em um número de 60 dos 64 parlamentares alinhados ao governo. Mas o coordenador da bancada do PMDB fluminense, Pedro Paulo, fez um abaixo-assinado entre os parlamentares do partido no Rio para defender o relator Sérgio Zveiter.

Caminhos

“Em outros momentos em que o próprio Pedro Paulo foi alvo de ataques pessoais, ele recebeu todo o apoio da bancada. Deveríamos refletir sobre isso no momento”, provocou Marun. Durante a campanha para a prefeitura do Rio no ano passado, Pedro Paulo foi acusado de agredir a mulher, e muitos consideram que esse fato foi fundamental para que ele, mesmo tendo ao seu lado a máquina partidária estadual e municipal, nem sequer chegasse ao segundo turno na disputa pela prefeitura.

Um dos possíveis alvos de punição, Pacheco lamentou que o partido tenha sugerido esse caminho. “Isso pode até ser um tema de encaminhamento de votação, jamais fechamento de questão”, destacou. O presidente da CCJ se solidarizou com o relator Sérgio Zveiter e disse que não pretende deixar o partido. “Acho que o PMDB precisa escolher que tipo de quadros ele deseja manter.” Irritado, Perondi retrucou. “Pena que um jovem deputado seja tão retrógrado. Ele é quem precisa escolher que tipo de relação partidária deseja manter”, frisou.

Os peemedebistas também apresentaram um voto em separado alegando que a denúncia contra Temer, acatada no relatório de Zveiter, é “inepta, sem provas de materialidade e expressa uma relação suspeita dos procuradores da República com os delatores”.

Críticas e desabafo

Chefe da assessoria especial do Ministério da Fazenda, Marcos Mendes fez um duro desabafo contra os dirigentes dos órgãos públicos que culpam, via imprensa, o contingenciamento de verbas do Orçamento pela falta de fornecimento de serviços públicos. Na sua página no Facebook, Mendes, que foi um dos formuladores da proposta de teto de gastos, disse que a lógica que tomou conta do setor público brasileiro é pagar a folha de servidores primeiro. “Prestar serviços é secundário”, escreveu. As declarações de Mendes ocorrem num momento em que o governo está sendo pressionado por órgãos públicos para liberar recursos.
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Messias
Messias - 12 de Julho às 09:47
Estamos mal representados com os atuais governantes. Não mais se respeita a quem no cumprimento de um mandato outorgado pelo povo, decida segundo sua consciência. Então, como pode outro que no exercício de seu mandato, se acha no direito de alterar decisão conscientemente tomada, influindo na posição adotada por outro no cumprimento do seu mandato?