Constituinte discute com Maduro sobre crescentes denúncias de perseguição

Constituinte, que segundo Maduro levará paz e recuperação econômica ao país, começou a agir no último fim de semana destituindo a procuradora-geral, Luisa Ortega, chavista que se rebelou contra o governo

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postado em 10/08/2017 16:11

A Assembleia Constituinte fará sessão nesta quinta-feira (10/8) com a participação do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, quando aumentam as denúncias de perseguição dos líderes opositores e o repúdio internacional pela situação no país.


Dirigentes da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) afirmaram em coletiva que 23 prefeitos opositores são alvo da Justiça - acusada de servir ao governo -, alguns dos quais estão presos, foram destituídos e estão foragidos ou no exílio, e outros têm processos pendentes.

A Justiça condenou na noite de quarta-feira (9/8) o prefeito de El Hatillo, David Smolansky, a 15 meses de prisão, assim como fez há dois dias com o prefeito de Chacao, Ramón Muchacho. Ambos estão foragidos e foram punidos por não impedir o bloqueio de ruas durante protestos em seus municípios, localizados no leste de Caracas.

A Constituinte, que segundo Maduro levará paz e recuperação econômica ao país, começou a agir no último fim de semana destituindo a procuradora-geral, Luisa Ortega, chavista que se rebelou contra o governo.

Também criou uma Comissão da Verdade, que a oposição chama de "tribunal da inquisição".

Maduro participará para "se colocar à disposição da Constituinte" em sua sessão no Palácio Legislativo, anunciou a ex-chanceler Delcy Rodríguez, presidente da Assembleia Constituinte que regirá o país por dois anos.

"Está é a paz que Maduro fala? Mas nenhum de nós tem medo da perseguição. Provavelmente agora vão se virar contra os deputados", assegurou o prefeito do município de Baruta, Gerardo Blyde, que também tem um processo aberto nos tribunais.

Da clandestinidade, Smolansky, que acusou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de se converter em um "paredão político", convocou protestos para esta quinta-feira em El Hatillo com bloqueios de ruas.

"Foram eleitos pelo voto. E essa Constituinte quer tirar o meu direto de uma só vez. Não aguentamos essa ditadura", disse à AFP um manifestante em El Hatillo.

"Não vamos nos render"


A MUD inscreveu na véspera candidatos para participar das eleições de governadores de 10 de dezembro, argumentando que não deixará o caminho livre para o governo, apesar de acusar o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de "fraude" na eleição dos 545 constituintes, todos do governo.

Mas "a prioridade não é ter governadores, mas sair da ditadura", assegurou em coletiva o vice-presidente do Parlamento, Freddy Guevara.

Dando continuidade aos protestos que exigem a saída de Maduro há quatro meses, e que deixam 125 mortos, a MUD convocou uma marcha para sábado em apoio aos prefeitos de Chacao e El Hatillo.

"É o momento de nos colocarmos de pé novamente. No sábado, nas ruas, pela liberdade. Não vamos nos dobrar, não vamos nos render, mesmo que com a Constituinte estejam arrogantes", acrescentou Guevara.

A decisão de participar destas eleições coloca a MUD em uma situação complicada, já que enfrenta divergências entre os cerca de 30 partidos que a formam e se arrisca a perder o apoio de muitos seguidores que querem somente um adiantamento das presidenciais.

Analistas consideram que o governo não está em condições de vencer uma eleição devido à grave crise econômica que atinge os venezuelanos, com escassez de alimentos e remédios e uma inflação descontrolada.

Maduro enfrenta o rechaço de 80% dos venezuelanos, segundo as pesquisas, que indicam que a MUD poderia vencer até 18 das 23 governações, o que seria um novo golpe ao chavismo, que sofreu nas legislativas de 2015 a sua maior derrota.

Mas a oposição não tem uma tarefa fácil. Um dos mais poderosos constituintes, Diosdado Cabello, disse que os candidatos opositores irão precisar de "um certificado de boa conduta" desse órgão, a fim de validar que não estimularam a violência nos protestos.

Pressão internacional


Enquanto a crise se aprofunda, a pressão internacional aumenta. Na véspera, os Estados Unidos impuseram sanções contra Adán Chávez, irmão mais velho do falecido presidente Hugo Chávez, e outros sete funcionários por sua relação com a Constituinte.

O governo de Donald Trump já havia sancionado o próprio Maduro e outros 13 funcionários, acusados de quebrar a democracia, corrupção e violação dos direitos humanos.

Nesta semana, 12 governos da América condenaram Maduro por uma "ruptura" da democracia e desconheceram a Constituinte - também rechaçada pela União Europeia -, ante cujos representantes em Caracas protestou o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, na quarta-feira.

"A ditadura está no pior momento nacional e internacional", manifestou Guevara.

Maduro acusa os Estados Unidos de apoiar a oposição com o objetivo de dar um golpe de Estado e acusa os países europeus e latino-americanos de serem "lacaios" de Washington.
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