Ministro da Justiça defende a despolitização das polícias no Brasil

Para Torquato Jardim, que participou de seminário no Correio Braziliense nesta terça-feira (15), ascensão na carreira das polícias Militar e Civil deve acontecer apenas por mérito.

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postado em 15/08/2017 10:50 / atualizado em 15/08/2017 11:23

Minervino Junior/CB/D.A Press

 
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, defendeu, na manhã desta terça-feira (15/8), a "despolitização das polícias". Segundo ele, uma polícia mais eficaz no combate ao crime só será possível se a ascensão na carreira se der por mérito e não por acordos políticos dos estados.
 

"Despolitizar significa dizer que a ascensão na carreira será por mérito, somente mérito. Não pedir para o deputado estadual, não pedir para alguém importante. Isso está destruindo a polícia militar em estágios cruciais para a política e a segurança pública no Brasil. É preciso retomar o sistema de mérito nas polícias Militar e Civil do país. Comando da Polícia Militar não pode ser barganha de bancada", afirmou Jardim durante o seminário O Brasil que nós queremos — Unidos pelo fim do contrabando e da criminlidade, realizado no auditório do Correio. 

Essa fala do ministro ocorreu em um momento em que ele traçava um diagnóstico sobre a atuação das polícias no país, ressaltando pontos que precisam ser melhorados na sua avaliação. "Outro desafio importante é a confiabilidade. Não pode haver vazamentos", acrescentou, afirmando que a prática prejudica operações inteiras . 

Contrabando


Sobre o principal tema do seminário, o contrabando, Torquato Jardim afirmou que o combate a esse crime passa por um melhor conhecimento do fluxo comercial da mercadoria e das nuances do comércio ilegal. “Não tem geração espontânea. É narcotráfico? Tem lavagem de dinheiro? Provavelmente que sim, mas o importante é que é preciso conhecer o financiador e a rota de chegada. É preciso estrangular e onerar o custo benefício de quem financia. Temos que quebrar a vantagem do ilícito”, disse.

Apesar disso, o ministro reconheceu que o desafio é tornar o combate às práticas uma prioridade no orçamento. “É preciso um fundo político de segurança pública. Não é gasto, é investimento. O retorno é muito maior que o investimento em segurança pública. É preciso criar uma força nacional permanente”, defendeu.

Jardim destacou que a economia informal está elevada, apesar de ter uma tendência de queda: “A economia subterrânea é de 16% do PIB”. Na visão do ministro, o empenho para estrangular o contrabando depende de variáveis que vão além do Estado. “Não é só cobrar do governo uma ação, mas é também, na ponta, dirigir o trabalho ético ao empresário.”

Drogas


Segundo o ministro, nos últimos 20 dias, a Polícia Rodoviária Federal apreendu uma média de quatro toneladas de maconha por dia. “Os número são impressionantes. Quanto mais se pressiona, mais mercadoria ilícita aparece”, afirmou. “Foi reduzida em 30% a entrada de carga roubada no Rio de Janeiro nos últimos dias. Esse desempenho vem de um trabalho de 60 dias”, completa.

Torquato também declarou que a principal precaução de combate ao crime é o silêncio. Para o ministro, a programação de combate precisa ser a mais silenciosa possível para se atingir o objetivo. “Dia, local e alvo tem que ser o mais escondido possível”, declara.

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