Senadores aprovam plano de trabalho colegiado na CPI do BNDES

Apesar da aceitação dos poucos parlamentares presentes à reunião, o senador Randolfe Rodrigues foi contrário ao plano de trabalho porque, segundo ele, a CPI foi desvirtuada e objetiva investigar a atuação do MPF

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postado em 16/08/2017 16:16 / atualizado em 16/08/2017 16:26

Senadores integrantes da CPI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovaram, na tarde desta quarta-feira (16/8), o plano de trabalho do colegiado para os próximos 180 dias. Os trabalhos serão realizados em três fases: audiências públicas com especialistas; oitivas e relatório. Instalada no último dia 2, a comissão tem o objetivo de investigar irregularidades nos empréstimos concedidos pelo BNDES no âmbito do programa de globalização das companhias nacionais, em especial a linha de financiamento específica à internacionalização de empresas, a partir de 1997.
 
 
Apesar da aceitação dos poucos parlamentares presentes à reunião, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi contrário ao plano de trabalho porque, segundo ele, a CPI foi desvirtuada e objetiva investigar a atuação do Ministério Público Federal (MPF). O item 5 do plano, elaborado pelo relator Roberto Rocha (PSB-MA) e pelo presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP), determina a “análise dos procedimentos de delação premiada celebrados com controladores, administradores e terceiros envolvidos com empresas no âmbito das investigações e procedimentos judiciais abrangidos pelo escopo da CPI e os benefícios a eles concedidos”.
 
Para isso, o relator pretende convidar membros do MPF para esclarecer à comissão os acordos celebrados, por exemplo, o feito com os donos do grupo J&F, Joesley e Wesley Batista, que resultou na denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. Entre os requerimentos de audiência pública aprovados ontem está o convite ao procurador responsável pela Operação Bullish, Ivan Cláudio Marx, da Procuradoria da República no Distrito Federal. Recentemente, Marx afirmou que Joesley e executivos do grupo J&F esconderam crimes praticados no BNDES na delações. O procurador pretende apresentar denúncia pelos delitos e cobrar R$ 1 bilhão a mais da companhia.
 
“Se está desvirtuando o objetivo. Eles tentaram fazer uma CPI do MPF. Não tiveram coragem. E, agora, transvestem a do BNDES como uma CPI para constranger e intimidar o MPF e a colaboração premiada que atinge o presidente da República. Já no começo está claro que o objetivo não é investigar os empréstimos do banco, mas intimidar a atuação dp MPF e rever o instituto da delação premiada que tem atingido em demasia os políticos”, criticou Rodrigues.
 
"Não vejo nenhum motivo para se ter preocupação em convidar uma autoridade do MPF, que sempre colabora com as investigações do Senado. Questionar os termos em que essas delações foram firmadas não foge ao escopo da CPI, porque os desdobramentos dela podem cair nisso. As delações são de pessoas físicas e de pessoas jurídicas e,  eventualmente, uma se choca com a outra. Não há razão nenhuma em ter calor no início dos trabalhos por causa de um membro de será convidado. O calor ideológico vai ficar pra depois”, afirma o relator da CPI, senador Roberto Rocha, que garante que não tratou sobre o assunto em encontro recente que teve no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer.
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