Valor do fundo bilionário para campanhas deve ser decidido só em dezembro

Deputados debatem apenas o texto-base da reforma política e deixam a votação dos temas mais polêmicos, como o distritão e o fundo bilionário para campanhas eleitorais, para a semana que vem

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postado em 17/08/2017 06:00 / atualizado em 17/08/2017 15:13

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


Um dia após o governo aumentar em R$ 20 bilhões o rombo da meta fiscal e anunciar cortes em vários setores, inclusive, no reajuste do salário mínimo para o ano que vem, deputados passaram a quarta-feira montando estratégias para justificar a criação de um fundo público de financiamento de campanha eleitoral. Previsto inicialmente para chegar a R$ 3,6 bilhões, ao longo do dia, o valor caiu para R$ 2 bilhões e, no fim, os parlamentares jogaram a polêmica da definição da cifra e da origem dos recursos para depois. A missão caberá à Comissão Mista de Orçamento, em dezembro.
 
 
Por meio de um acordo entre os líderes partidários, o plenário fatiou a proposta e debateu apenas o texto-base da reforma política — sem os destaques —, que prevê o mandato dos membros dos tribunais superiores, mudanças nas datas de posse e o ainda controverso financiamento de campanha. “Para tirar da sociedade é fácil. Cortam salários e fazem mudanças. Na hora de criar um fundo bilionário que beneficia o Legislativo, ocorre na mesma rapidez. A diferença é que, esta Casa, que devia prestigiar o povo, só toma decisões contra ele”, disse o deputado Glauber Braga (RJ), líder do PSol.

Destaques importantes, como o “distritão” e o próprio financiamento das campanhas, foram jogados para a semana que vem, conforme antecipou o Correio. Embora tenha ido a plenário, a PEC 77/2003 não foi votada porque um requerimento de encerramento de discussão foi aprovado com 361 votos. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrou a sessão, alegando ainda a falta de quórum. “Não dá para votar com 430 pessoas aqui dentro”, disse Maia. Os trabalhos recomeçam na próxima terça-feira.

Consultados pela reportagem, assessores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmaram que o fato de a definição dos valores e a origem do fundo terem ficado para dezembro não fere as regras eleitorais de alterações até um ano antes da eleição. Para valer no pleito do ano que vem, basta ser criado até outubro, os detalhes podem ser discutidos depois.

Senado


Apesar de a reforma política ainda estar na Câmara, os senadores tiveram grande participação nos debates. O recado de que o fundo não passaria na Casa foi enviado logo cedo ao plenário vizinho. O relator da reforma política, Vicente Cândido (PT-SP), foi convidado a almoçar no gabinete do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o senador Jader Barbalho (PMDB-PA). O grupo avaliou que, com a revisão das metas de deficit e os indicadores econômicos deteriorados, é impossível convencer o eleitorado a doar para eleger a atual classe política.

A recusa do Senado em relação ao tema fez o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, rever a decisão de colocar a reforma toda em votação. Em reunião com parlamentares próximos, afirmou que não poderia permitir esse desgaste à Câmara. “Não podemos deixar que eles apareçam como os bonzinhos que derrubaram o fundão aprovado por nós”, disse Maia a colegas.

Para Eunício Oliveira, o melhor seria o retorno do financiamento privado de campanha, mas correligionários entendem que a mudança é inviável. “Com a Lava-Jato aí, quem vai doar alguma coisa para os políticos? Tudo vai ser rastreado e vão querer saber de onde veio cada centavo”, disse Renan Calheiros. Por isso, o ex-presidente do Senado defende um modelo misto: financiamento por empresas — com regras e limites claros — e público. A ideia deve nortear os debates quando a proposta chegar ao Senado.

Críticas


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é contrária à reforma política que tramita na Câmara. De acordo com o presidente da entidade, Claudio Lamachia, a mudança mais grave é a que prevê a possibilidade de se ocultar doações de pessoas físicas em campanhas eleitorais. A proposta permite ao doador pedir que o nome seja ocultado, com acesso apenas da Justiça Eleitoral e de órgãos de controle. “Se a medida for aprovada, vamos levar ao STF. A ocultação do nome dos doadores fere princípios constitucionais e até mesmo a moralidade”, destacou.

Análise da notícia

Estão com medo de perder a boquinha

Plácido Fernandes Vieira

Apesar de o país estar mergulhado na pior recessão da história e com as contas públicas em frangalhos, parlamentares querem porque querem arrancar mais R$ 3,6 bilhões do bolso dos cidadãos para bancar a própria campanha em 2018. Reforma política? Não. Isso tem outro nome: escárnio! Parece inacreditável, mas eles não aprendem ou, então, estão convencidos de que o brasileiro tem sangue de barata e vai aguentar calado mais esse ultraje.

Senão, como ousam enfiar a mão no erário e arrancar essa soma bilionária em proveito próprio, enquanto mais de 14 milhões de pessoas perderam o emprego e já não podem contar sequer com serviços públicos básicos, como educação, saúde e segurança, que eles destroçaram? E tudo isso depois de o país assistir, estarrecido, à Lava-Jato revelar, escândalo atrás de escândalo, como o assalto à Petrobras, a roubalheira generalizada que empurrou o Brasil para essa situação de descalabro.

Ora, por que não fazem uma campanha condizente com a crise que o país enfrenta? Chegou a hora de acabar com a pirotecnia mentirosa de marqueteiros, geralmente bancada com dinheiro roubado dos cofres públicos. Essa gastança bilionária, a exemplo do que ocorreu em 2014, só serve para engabelar incautos. É hora de os políticos pedirem voto de cara limpa, sem efeitos especiais, na propaganda eleitoral (que nada tem de gratuita!). Assim, a disputa seria muito mais honesta. Quanto à doação eleitoral, só do próprio eleitor. Quem mais do que ele sabe qual candidato ou partido merece receber seu dinheiro?

Os senhores parlamentares, no entanto, não querem nem saber de baratear o custo das campanhas. Acostumaram-se com o faz de conta produzido por publicitários sem escrúpulos. Desta vez, a desfaçatez com a tal reforma política é tanta que, na ânsia de não ficar sem um mandato, eles querem ter o direito de concorrer a dois cargos ao mesmo tempo. De presidente da República a “vereador”. As excelências só não podem é perder a boquinha. Que coisa vergonhosa!
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ROBERTO
ROBERTO - 17 de Agosto às 10:36
É SAFADEZA ATRÁS DE SAFADEZA. ONDE VAMOS PARAR. FUNDO ELEITORAL E DISTRITÃO MISTO É VERGONHOSO. TOMEM VERGONHA SENHORES POLÍTICOS. A RAÇA MAIS DESACREDITADA DO PAÍS.