Não entrego o cargo de presidente interino do PSDB, diz Tasso

O estopim para a nova crise interna no partido é o programa partidário tucano, veiculado na última semana, que faz uma autocrítica sobre posicionamento do PSDB em relação ao que chama de "presidencialismo de cooptação"

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postado em 22/08/2017 15:15

Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), defendeu nesta terça-feira (22/8) que os deputados tucanos insatisfeitos com sua gestão à frente da sigla procurem o senador Aécio Neves (PSBD-MG), presidente licenciado da legenda, para pedir sua saída do cargo. Jereissati voltou a dizer que não vai entregar o posto e negou que esteja fazendo prevalecer suas convicções na direção partidária.
 
 
"Eles que vão ao Aécio e digam: Aécio, tira o homem que ele não nos representa. E provem que são majoritários. É tão fácil. Se não tivesse um presidente efetivo, tivesse que ir para a executiva, aí seria mais complicado. No nosso caso é 'simplérrimo'", argumentou. "Eu estou consciente que sou interino. Então pra deixar a presidência e a interinidade, não precisa de nenhum tipo de articulação, pressão, nada disso. É um ato puro e simples do presidente efetivo, que ele faz e pronto. Não depende de mim e de mais ninguém. Só do presidente efetivo"

Pouco mais de uma dezena de deputados federais do PSDB se reuniram na noite desta segunda-feira (21/8) em um jantar de mais de quatro horas, para deliberar sobre o "comportamento" de Tasso. "Aconselhados" pelo governador de Goiás, Marconi Perillo, e acompanhados dos ministros Bruno Araújo (Cidades) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), os parlamentares pró-governo decidiram que vão pedir a "correção" ou "substituição" do senador do comando da legenda.

Nas palavras do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), Tasso tem tornado público uma posição distinta da majoritária. "Desde aquela reunião ampliada da Executiva, já começou esse comportamento. O partido decide uma coisa e, em público, o porta-voz se posiciona de maneira diferente", acusou ontem. O senador respondeu essas acusações. "Não sei do que ele Marinho está falando. A gente sempre está fazendo reuniões com as maiores lideranças do partido, com toda certeza, coordenadas com a maioria do partido". 

Jereissati ironizou também os pedidos para que ele entregue o posto. O senador cearense afirmou que não recebeu nem um cartão postal dos parlamentares que criticam seu mandato interino. "Nunca me falaram nada. Espero que venham falar comigo alguma coisa. Se estão falando por trás, venham falar pela frente. Nunca me procuraram, nem por nota, nem bilhete, nem cartão postal, nem em telefonema, nem whatsapp", disse.

O presidente interino do PSDB ainda minimizou qualquer possibilidade de se desfiliar o partido diante do racha. "Eu não saio. Aécio assumindo, não assumindo, eu não saio do partido. Eu fico no partido. Minha vida foi dedicada a esse partido, fui presidente do PSDB nos primórdios do partido e fui talvez o primeiro governador a eleger um governador do partido. Eu não saio desse partido. Se tiver alguma diferença a ser discutida, a gente discute democraticamente", argumentou.

O estopim para a nova crise interna no partido é o programa partidário tucano, veiculado em cadeia de rádio e TV na última semana, que faz uma autocrítica sobre posicionamento do PSDB em relação ao que chama de "presidencialismo de cooptação". A publicidade irritou o Palácio do Planalto. Tasso assumiu a responsabilidade pela peça publicitária, mas disse que consultou lideranças como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Sobre a presença de Perillo no jantar com deputados tucanos críticos a ele, Tasso disse que conversou com o governador de Goiás e ouviu outra posição do líder tucano. "Ele me telefonou hoje dizendo que não tem nada a ver com isso, não concorda com isso de maneira nenhuma. Não concorda com qualquer movimento e me apoia".
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