Governo Federal libera R$ 2 mi para festa de Sete de Setembro na Esplanada

O contingenciamento travou 43% dos recursos da pasta em relação à previsão inicial, mas, para a festa, há dinheiro

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postado em 04/09/2017 06:00

Breno Fortes/CB/D.A Press


Em meio ao imbróglio político, as contas públicas continuam em frangalhos e o governo federal não poupou recursos para a tradicional festa de Sete de Setembro na Esplanada dos Ministérios. O valor estimado a ser pago pela Presidência da República à empresa contratada para organizar o desfile e atender os convidados é de quase R$ 2 milhões. A despeito dos desfiles militares, a tesourada atingiu em cheio o Ministério da Defesa, com impacto nos projetos estratégicos das Forças Armadas.

O contingenciamento travou 43% dos recursos da pasta em relação à previsão inicial, mas, para a festa, há dinheiro. Não à toa, pesquisa da Ong Contas Abertas revela que apenas a Presidência e o Ministério de Minas de Energia tiveram aumento nas despesas discricionárias no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2016, de 9,3% e 1,4%, respectivamente. Os demais órgãos sofreram cortes.

O valor previsto para o Ministério da Defesa na Lei Orçamentária Anual de 2017 é de R$ 92,3 bilhões, dos quais R$ 9,4 bilhões se referem a investimentos, sendo R$ 6,4 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 5,7 bilhões para custeio. “Para o PAC, há um contingenciamento de R$ 3,1 bilhões. A restrição para os demais programas e custeio é de R$ 3,5 bilhões, considerado o contingenciamento adicional ocorrido em julho”, informa a assessoria do ministério.

Na opinião de Raul Velloso, especialista em contas públicas, mesmo que o gasto com a festa não seja tão expressivo diante do rombo fiscal, o governo deveria fazer ajustes. “Como a situação é de penúria, é preciso buscar soluções baratas para tudo. Algum esforço deve ter”, avalia. O professor de Administração Pública José Matias-Pereira compartilha da opinião. “O governo tem de dar bons exemplos, inclusive, nas pequenas coisas. Se estamos em crise, a economia vale para todos”, afirma. “O problema é sério nas contas públicas. É fundamental que o governo feche todas as torneiras, as pequenas, médias e as grandes, porque é a soma disso tudo que levou ao deficit projetado de R$ 159 bilhões”, acrescenta Matias-Pereira.
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