Joesley afirma que não poderia falar de todos os políticos de uma vez

Em conversa com Ricardo Saud, dono da JBS conta, em áudios, que não poderia chegar no MPF e delatar vários políticos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 06/09/2017 14:57 / atualizado em 06/09/2017 15:10

Pedro Ladeira/CB/D.A Press


Em um trecho do áudio em que o empresário Joesley Batista, da JBS, grava a si próprio, ele dá a entender que não contou tudo o que sabia durante os depoimentos válidos pelo acordo de delação premiada. Na conversa, ele dialoga com Ricardo Saud, que também integra o grupo de executivos da empresa de carnes.
Joesley afirma que não poderia delatar todos os políticos de uma vez só. Ele vai depor sobre estes novos áudios na próxima sexta-feira (7/8), na Procuradoria-Geral da República. "Não dá pra chegar lá e falar de 200 políticos. Não podemos chegar falando do Temer e o car… Assim o MP vai achar que eles são fod…E nós vamos dizer que chegando lá eles moeram nós [sic] e nós não tivemos outra opção", afirma o delator. 

Em nota, enviada ontem pela assessoria da empresa, os executivos alegam que não falaram a verdade na conversa. Eles dizem que as declarações "não tem nenhum compromisso com a verdade."  

Entenda


Nesta segunda-feira (4/9), em uma entrevista coletiva, o procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou que gravações obtidas pelo Ministério Público indicam que os delatores da JBS, maior produtora de proteína animal do mundo, omitiram informações durante depoimentos de delação premiada. De acordo com Janot, os indícios de omissão, que podem levar à anulação da delação do dono da JBS e do executivo da empresa Ricardo Saud, estão em uma gravação feita, sem querer, pelo próprio Joesley. 

O áudio, de quatro horas, acabou sendo repassado pelo empresário aos investigadores do Ministério Público e traz "informações gravíssimas" de fatos graves e ilícitos ocorridos na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o procurador-geral. "São feitas referências indevidas à PGR e ao STF. Temos indícios de conduta em tese criminosa por parte do ex-procurador Marcelo Miller", completou.

Miller trabalhou de maneira próxima a Janot até março deste ano, quando se desligou do Ministério Público Federal para se tornar sócio do escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe, que tem entre as atividades a negociação de delações.

Janot contou que a gravação traz uma conversa, de linguagem comum e natural, entre Joesley e um interlocutor cuja identidade não foi revelada. A novidade, ressaltu o procurador-geral, não invalida as provas já obtidas. "A gravação foi entregue na semana passada. Revelam fatos graves, que podem resultar na anulação da delação dos executivos da JBS, sem prejuízo para as provas que estão no processo", declarou Janot.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.