Miller teria auxiliado leniência da J&F ainda no MP, afirma procurador

E-mails entregues à PGR mostrariam ação de ex-procurador em acordo de delação

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 11/09/2017 18:21 / atualizado em 11/09/2017 18:28

Antes de assumir uma vaga no escritório Trench, Rossi e Watanabe, responsável por negociar a delação do grupo J&F, o então procurador Marcello Miller tratava do tema em e-mails enquanto ocupava cargo no Ministério Público. A acusação foi feita pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, no pedido que pede a prisão de Miller e dos executivos da J&F Joesley Batista e Ricardo Saud.
 

No pedido, protocolado na última sexta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), Janot afirma que e-mails enviados pelo escritório de advocacia comprovam a ação de Marcello Miller. O material, cedido pela empresa após pedido do MP, mostraria que o ex-procurador já tratava da leniência da J&F, antes de vir a integrar a equipe de advogados da Trench, Rossi e Watanabe.

Ainda segundo o Procurador-Geral, nestas mensagens o então membro do Ministério Público discutia com uma advogada da empresa a questão de "voos para reuniões, referencias a orientações à empresa J&F e inícios de tratativas". Mesmo assim, a íntegra da denúncia enviada por Janot ao ministro Edson Facchin não torna público os conteúdos destes e-mails.

Após a saída de Miller do Ministério Público, Miller foi recrutado para o escritório de advocacia por Ester Flesch - que em 2014 já tinha negociado um acordo de compliance com a Petrobras.  O ex-procurador teria então aconselhado os executivos da J&F, sendo citado em gravações de Joesley Batista com Ricardo Saud. Nesta segunda-feira, como desdobramento da investigação, membros da Polícia Federal e do Ministério Público fizeram uma operação de busca e apreensão na casa de Miller, no Rio de Janeiro.

A ação de Marcello Miller no caso da J&F é crucial para a defesa do Presidente Michel Temer, que enxerga na ação do magistrado um forte indício da suspeição de Janot e do Ministério Público. O Procurador-Geral tem conduzido a investigação sobre a relação de Temer com o empresário Joesley Batista, dono da J&F, inclusive enviando uma denúncia pedindo o impeachment de Temer, arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto. Há a expectativa de que, até o fim do seu mandato como Procurador-Geral na próxima segunda-feira (18), Janot envie uma nova denúncia contra Temer.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.