Janot inclui Joesley em denúncia contra Temer

Joesley Batista e Ricardo Saud ficaram calados em depoimento à PF. Defesa orientou os delatores a não responderem aos questionamentos ao receber informações que indicam suspensão do acordo de colaboração

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postado em 14/09/2017 17:20 / atualizado em 14/09/2017 20:40

 
 
A Procuradoria-Geral da República está trabalhando para protocolar ainda nesta quinta-feira (14/9), a nova denúncia contra o presidente Michel Temer e a rescisão do acordo de delação dos executivos do grupo J&F. A decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o acordo implica revogação da imunidade penal concedida inicialmente a Joesley Batista, dono do grupo, e aos demais executivos da empresa. A rescisão do acordo abre caminho para Janot denunciar, ao lado de Temer, executivos do grupo. A previsão é de que Joesley seja denunciado por obstrução da Justiça com o presidente da República, conforme antecipou a colunista do jornal O Estado de S. Paulo, Vera Magalhães.
 
 
Durante o depoimento à Polícia Federal, nesta quinta, os executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F decidiram permanecer em silêncio. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, resposável pela defesa da dupla, afirmou que ele mesmo orientou seus clientes a não responderem aos questionamentos. "Eles até queriam falar, porque na verdade nem sabem o motivo de estarem presos. No entanto, algumas fontes me disseram que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu pedir a suspensão total do acordo de colaboração com a Justiça. Se eles não são delatores, para que vão falar?", questiona o jurista. Com a suspensão, Joesley perderia a imunidade e seria incluído na 1ª denúncia contra o presidente Michel Temer. 
 
O depoimento foi marcado a pedido da ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decorrência de suspeitas de que eles tentaram interferir no trabalho da suprema corte. De acordo com a defesa da dupla, a decisão de não responder as perguntas ocorre após a informação de que o acordo de delação que eles firmaram com o Ministério Público será totalmente suspenso.
 

Joesley e Ricardo Saud chegaram na sala de depoimentos dispostos a falar. Eles foram convocados para explicar trechos de uma gravação na qual fazem referência a integrantes do STF. No diálogo, os delatores dizem que "têm gente dentro do tribunal", que eventualmente poderiam colaborar no processo que eles enfrentavam. 

Presos desde a segunda-feira em Brasília, eles estão na Superintendência da Polícia Federal. A prisão temporário de Joesley termina nesta sexta-feira (15/9). No entanto, como existe uma outra ordem de prisão preventiva, apenas Saud pode deixar a reclusão. A defesa ainda não foi notificada de um eventual pedido de suspensão total do acordo de delação premiada. 
 
Com informações da Agência Estado 
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