Crise no PSB: Dissidentes do partido devem ser expulsos na segunda-feira

A pressa do PSB para definir os destinos de Danilo Forte, Fabio Garcia e Tereza Cristina tem ligação com a votação da segunda denúncia contra Temer

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Agência Camara


Acentuada desde que o Congresso Nacional recusou, em agosto, a primeira denúncia contra o presidente Michel Temer, a divisão interna no PSB pode ganhar novos capítulos na próxima segunda-feira, durante reunião do Diretório Nacional da legenda, em Brasília. O evento deve confirmar a expulsão de quatro dissidentes que seguem fiéis ao Planalto à revelia da posição da sigla, que desde maio integra oficialmente o grupo de oposição ao peemedebista. O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, a líder na Câmara, Tereza Cristina (MS), e os deputados Danilo Forte (CE) e Fabio Garcia (MT) devem ser desligados do PSB por terem votado, em abril, a favor da reforma trabalhista na Câmara, descumprindo uma decisão da própria Executiva Nacional do partido.


A pressa do PSB para definir os destinos de Danilo Forte, Fabio Garcia e Tereza Cristina tem ligação com a votação da segunda denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, acusados de obstrução de Justiça e de participação em organização criminosa. Forte e Garcia são membros titulares da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e devem corroborar a avaliação do relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que pede a rejeição da denúncia contra o presidente da República, posição que vai de encontro à decisão do PSB. Como a líder Tereza Cristina, que tem a prerrogativa de substituí-los na comissão, é defensora da gestão de Temer e não sinaliza com nenhuma mudança nos membros do colegiado, a direção do partido decidiu afastar o trio antes que a denúncia contra Temer seja votada na comissão.

Já o ministro Fernando Coelho Filho vive uma situação ainda mais controversa na sigla. Além de ter retomado o mandato na Câmara apenas para votar a favor da reforma trabalhista, ele ainda descumpriu uma determinação da Executiva do PSB e permanece no comando da pasta de Minas e Energia, mesmo após o desembarque oficial da legenda do governo Temer. Um outro complicador é o fato de ele ser filho do senador Fernando Bezerra (PE), que, em setembro, deixou o PSB para se filiar ao PMDB, visando se eleger, em 2018, governador de Pernambuco, cargo ocupado hoje justamente pelo PSB, com Paulo Câmara.

Para Danilo Forte, a direção do PSB age de maneira “tirana e autoritária” ao decidir desfiliar quatro parlamentares por meio de uma reunião do Diretório Nacional, sem antes realizar debates mais aprofundados sobre o assunto. “Carlos Siqueira (presidente do PSB), atabalhoadamente, cria uma desarmonia no convívio salutar que qualquer partido deve ter”, criticou. “Essa reunião é extemporânea, caberia um maior diálogo. Acho que isso (expulsão) deixará sequelas que serão difíceis de serem curadas”, ressaltou o parlamentar, que revelou que deve migrar para o DEM ou para o Podemos.

A deputada Tereza Cristina, por sua vez, mantém um tom mais sereno. Apesar de considerar uma eventual permanência no PSB “muito difícil”", ela vai esperar a reunião de segunda para se posicionar de forma mais contundente. “Essa reunião é açodada. Precisava ter mais conversa, o que tem de bom na política é o diálogo. Nada é impossível. Precisamos saber qual será o clima dessa reunião”, observou a líder.

O presidente da sigla, Carlos Siqueira, discorda das avaliações. Ele diz ter certeza de que o Diretório Nacional acatará a recomendação do Conselho de Ética do PSB e expulsará os quatro parlamentares. “Não vamos permitir que o partido seja desmoralizado. Chegamos ao limite, a tolerância com esses deputados indisciplinados já está esgotada. A janela está muito distante, eles já não têm razão para ficar no PSB”, analisou Siqueira.

 Além dos casos de Tereza Cristina, Danilo Forte, Fábio Garcia e Fernando Coelho Filho, há processos no Conselho de Ética do PSB contra outros nove parlamentares que votaram a favor da reforma trabalhista. A condição deles ainda deve ser avaliada pelo comando do partido e pode ser revertida, caso eles mudem de posição em relação à agenda de reformas de Temer.



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