"Problema é presença de crianças", diz ministro da Cultura sobre exposições

Em entrevista ao programa CB.Poder, Sérgio Sá Leitão sugeriu a criação de um sistema de classificação indicativa para exposições de arte

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postado em 18/10/2017 17:49 / atualizado em 18/10/2017 17:49

Reprodução/TV Brasília

 
Os debates sobre a exposição QueerMuseu e sobre a performance La Bête, apresentada no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, continuam reverberando, sobretudo nas redes sociais. Nesta quarta-feira (18/10), durante participação no programa CB.Poder — uma parceria do Correio com a TV Brasília —, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que o problema das duas manifestações artísticas que envolvem nudez foi "a presença de crianças" como espectadores e sugeriu a criação de um sistema de classificação indicativa para exposições, nos moldes do que é aplicado às produções audiovisuais.
 

"A constituição é muito clara ao assegurar a liberdade de criação, a liberdade de expressão e a liberdade de manifestação. Ao mesmo tempo, ela também estabelece outros princípios e garantias fundamentais como a preservação da infância e o respeito às religiões. Eu não acho que sejam princípios incompatíveis. Acho que nós podemos racionalmente e equilibradamente compatibilizá-los", afirmou o ministro. "Tenho empunhado essa bandeira da classificação indicativa. Acho que é uma maneira de assegurarmos a liberdade de criação e de expressão dos artistas e de gestores de espaços culturais com a necessidade de preservamos a infância", completou.

Ainda na conversa, Sá Leitão pediu que não se criminalize o "conjunto da cultura" por conta dos "dois episódios específico" e garantiu que não há no Brasil "nenhum risco de censura". "A Constituição é muita clara ao assegurar a liberdade de expressão e de criação".

Acordos de leniência e Teatro Nacional

Sá Leitão — que está prestes a completar três meses como titular da pasta da Cultura — também comentou os acordos de leniência firmados no âmbito da Operação Lava-Jato, que preveem que empresas condenadas façam investimentos em projetos sociais, culturais e ambientais. "Podemos transformar uma coisa extremamente ruim, que foi essa corrupção toda que tivemos no Brasil — que é algo que deve ser condenado veementemente e esclarecido — em algo positivo que é pegar esses recursos e colocar nesses projetos", ponderou.

Por fim, o ministro falou sobre os espaços culturais de Brasília. Segundo ele, o Ministério da Cultura se propôs a ajudar o Governo do Distrito Federal (GDF) a encontrar uma solução para, na definição dele, as complexas obras do Teatro Nacional. "O Teatro Nacional está fechado por um prazo maior do que o prazo que se levou para fazer a capital", comparou.

Confira a entrevista completa:

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