Maia: hora é de Temer refletir sobre "meses difíceis para a Câmara"

Presidente da Câmara falou após votação de denúncia sobre pautas futuras na Casa e relação com o Planalto

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AFP / Apu Gomes

 
Minutos depois de a Câmara dos Deputados barrar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer - e cercado de dezenas de jornalistas em um concorrida coletiva, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que é hora da Câmara estabelecer uma pauta própria, com foco nas reformas e em projetos de autoria de deputados da Casa. No que pode ser visto como um sinal de distanciamento do poder executivo e do próprio presidente Michel Temer, Maia disse ter certeza de que, "pela experiência dele, ele (Temer) irá refletir que foram meses difíceis para a Câmara dos Deputados".
 

Segundo Rodrigo Maia, o fim do ciclo de denúncias contra Temer no legislativo deve abrir espaço para uma agenda reformista e de novos projetos no plenário. De acordo com o presidente, projetos sobre segurança devem ser debatidos na Câmara na primeira semana de novembro, além de uma revisão nas leis que tratam do tráfico de drogas e de armas prevista para 2018. O presidente disse esperar que seja possível inserir propostas para a Reforma da Previdência menos complexa, cobrindo temas a idade mínima e com problemas de transferência dentro do sistema.

Maia afirmou, porém, que tais propostas da Previdência não devem ser colocadas em pauta até que o Planalto recomponha sua base aliada para apreciar tais projetos. "Nós temos, hoje, uma base muito sofrida", afirmou. Na coletiva, o deputado disse esperar o apoio do PSDB, partido que hoje está dividido, para ajudar a recompor a base de apoio nestes temas sensíveis.

O presidente da Câmara desconversou sobre a votação de hoje ser um sinal do endurecimento do tom do Legislativo contra o governo. "Eu não vou ficar ensinando ao presidente da República, que já foi presidente da Câmara por três vezes, como ele tem de manter a relação dele com o parlamento", afirmou. Segundo Maia, o trabalho feito na Câmara demonstrou a cumplicidade dos seus pares ao governo. "A gente não pode negar que o presidente, apesar de ter tido uma perda na sua base, teve dois resultados melhores do que a expectativa de todos nós". 
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