Após vitória, Temer e aliados deixam análise de traição na base para depois

O governo ainda avalia a melhor forma de lidar com a base rebelde e deixará para se debruçar no mapa de infiéis no fim de semana

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postado em 27/10/2017 06:00

No dia seguinte à vitória em plenário, o governo preferiu celebrar a focar em possíveis traições da base aliada. Apesar de ter conseguido somente o apoio de 251 deputados para enterrar a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República — menos da metade da Casa —, aliados do presidente preferiram fazer discursos mais sóbrios e evitar ameaças de retaliações. Não que elas não venham, mas serão analisadas com calma, caso a caso, segundo interlocutores do presidente. Para eles, é preciso ter cautela para não correr riscos de aumentar a fissura na base.

 

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No Planalto, o momento foi de comemoração. O governo ainda avalia a melhor forma de lidar com a base rebelde e deixará para se debruçar no mapa de infiéis no fim de semana. “Algumas situações indicam um conflito com o Executivo Federal, outros sinalizam um distanciamento. O presidente vai verificar quem ainda tem alinhamento, quem não tem. Não há uma regra geral sobre como lidará com isso”, justifica um interlocutor.

O próprio presidente, mesmo com a recomendação médica de repousar, divulgou vídeo nas redes sociais para agradecer os votos obtidos em plenário contra a denúncia que o acusava de obstrução de Justiça e organização criminosa. Temer inicia o vídeo declarando que “o Brasil é sempre maior do que qualquer desafio”. E continua, analisando que o país ficou “ainda mais forte” após ter “as instituições testadas de forma dramática nos últimos meses”. Mediante acordos e barganhas, Temer conseguiu alinhar as articulações políticas que lhe permitiram engavetar duas peças acusatórias na Câmara.

A expectativa de Temer é de que agora terá mais segurança no cargo para governar e tocar as agendas reformistas, sem demais preocupações com a PGR. No vídeo, ele reforça que é preciso “ter foco no que interessa ao povo”. “A ponte que estamos construindo para o futuro é sólida, firme, resistente. Começamos a construí-la ainda em 2015, certos do nosso caminho e convictos do nosso destino”, declarou. “No fim, a verdade venceu”, finalizou.

Constrangimento

Fiel escudeiro de Temer, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) demonstrou o descontentamento com o placar, até porque a negociação para manter o presidente no cargo foi muito intensa nas últimas semanas. Para ele, as traições vieram de pessoas que teriam feito solicitações complementares e não foram atendidas. “Não é emenda que não foi liberada. Os compromissos que o governo fez, ele cumpriu. Talvez tenha aparecido gente com pedido complementar e, com razão,  o governo não quis atender”, acredita Marun.

O peemedebista ressalta que ficou claro quem está com o governo e, a partir de agora, é trabalhar de acordo com os interesses dessa base para, a partir dela, conquistar novos votos para as reformas. Entre os principais constrangimentos está a votação no PSDB, à frente de quatro ministérios. O placar do partido se inverteu em relação à primeira denúncia e a maioria votou contra o presidente, ficando 23 a 20.

“Existem ali companheiros valorosos que seria muito custoso não tê-los ao nosso lado. Mas também tem ali uma turma que é difícil de aguentar. Essa votação criou um grande fosso nas relações do PMDB e do PSDB para as eleições de 2018”, afirma Marun. Aliados governistas preveem mais problemas na base por causa do PSDB, já que entendem como afronta o partido continuar com quatro pastas na Esplanada enquanto outros, que defendem Temer, brigam por mais espaço no governo.

Exames

Não há qualquer previsão de que o presidente Michel Temer seja submetido a uma cirurgia da próstata, depois do problema físico sofrido na quarta-feira. A previsão é que o peemedebista viajará hoje ou amanhã para São Paulo, a fim de realizar novos exames.
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