Planalto prepara retaliação a infiéis que votaram contra Temer na Câmara

Governo pretende publicar as primeiras exonerações de apadrinhados na edição de segunda-feira do Diário Oficial da União. Oito deputados são apontados como os "rebeldes" porque mudaram de posição desde a primeira denúncia

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postado em 28/10/2017 08:00 / atualizado em 28/10/2017 09:56

AFP / EVARISTO SA


A retaliação a deputados federais infiéis ao presidente Michel Temer na votação da segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República na Câmara está prestes a sair do forno. O Palácio do Planalto trabalha a todo vapor para publicar no Diário Oficial da União de segunda-feira a exoneração de indicados políticos de parlamentares que votaram contra o peemedebista.

Apadrinhados de pelo menos seis dissidentes estão na mira do Planalto. A expectativa inicial era publicar já alguns nomes no DOU de ontem, mas o Planalto optou por analisar com lupa os rebeldes. Entre os governistas, há uma ala que recomendou a Temer ser mais comedido e não ceifar a esmo. Para esses parlamentares, não é o momento de ser agressivo nas punições, mas analisar com cautela cada caso. Afinal, o governo tem como meta retomar as discussões em torno das agendas reformistas e precisa do máximo de votos.

O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), avalia que é preciso fazer uma análise criteriosa sobre as exonerações. “O que eu sempre falo é que, às vezes, o deputado tem um cargo pequeno e poderia votar com a gente com as reformas. E muitas vezes tem gente que está no governo que não quer votar com a gente nas reformas e que tem cargo grande. Tem que ter muito critério para saber quem é a sua base”, sustentou.

Critério é o que o Planalto está procurando adotar. Interlocutores de Temer afirmam que o presidente, o titular da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, passaram os últimos dias analisando caso a caso para distinguir quais deputados estão em efetivo conflito e quais apenas se distanciaram da base, havendo, ainda, possibilidade de reconciliação e alinhamento.

A principal sinalização de que a equipe palaciana estuda quem retaliar é que dos oito dissidentes — deputados que votaram a favor do presidente na primeira denúncia e contra na segunda —, dois devem ser absolvidos. Os oito rebeldes são: Abel Mesquita Jr. (DEM-RR); Cícero Almeida (Pode-AL); delegado Éder Mauro (PSD-PA); Heuler Cruvinel (PSD-GO); Jaime Martins (PSD-MG); João Campos (PRB-GO); João Paulo Kleinübing (PSD-SC); Mauro Mariani (PMDB-SC).

Um dos que estão na mira do Planalto é o deputado Éder Mauro. Embora garanta que não tenha confirmação sobre retaliação, ele admite que seja provável que algum indicado seja exonerado. “Temos um partido que é base do governo. Temos um líder que trata dessas situações, mas não tive conhecimento”, sustentou. Os deputados dissidentes alegam pressão da opinião pública no voto.

Heuler Cruvinel alegou que as malas de dinheiro encontradas pela Polícia Federal em um apartamento atribuído ao ex-ministro Geddel Vieira Lima o convenceram de que há provas consistentes contra Temer. O deputado Jaime Martins, por sua vez, declarou que votou contra o governo pelo cerco da opinião pública nas redes sociais e a abordagem do eleitorado na rua. “Eu nunca quis votar pela impunidade. A opinião pública acha que se tem indícios de culpa, tem de haver investigação”, declarou.

Os três parlamentares estão entre os quatro do PSD que votaram contra o governo. O partido foi o que teve mais dissidentes na segunda denúncia. O governo, no entanto, não planeja punir por bancada. A ideia de penalizar legendas em razão da postura de dissidentes não agrada a líderes governistas, que temem os possíveis efeitos do esfacelamento da base aliada na votação das reformas. Sob essa perspectiva, o Planalto não deve promover trocas no Ministério de Ciência e Tecnologia, atualmente comandado pelo PSD com Gilberto Kassab.

Com a decisão de não punir partidos, a sigla que mais se beneficiará é o PSDB. E esse é um dos grandes problemas do governo em reorganizar a base, que cobrará cargos dos 23 parlamentares da legenda que votaram contra Temer. Deputados aliados exigem do governo uma postura incisiva contra os tucanos, mas o Planalto não dá sinais de que atenderá as reivindicações. “Os tucanos não vão sair por conta própria e o governo não vai tirar”, critica um aliado.

A atitude comedida não é unânime entre os governistas. O deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS), um dos líderes do governo na Câmara, afirma que Mansur está “completamente equivocado” ao pedir parcimônia ao governo na análise dos deputados rebeldes. Na avaliação do peemedebista, os parlamentares que votaram pelo prosseguimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) “ofenderam a honra” de Temer. Marun defende a exoneração imediata de pessoas indicadas por deputados que “traíram” o presidente na última quarta-feira. “É a minha opinião e a posição que eu vou levar ao presidente”, observou.

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