Temer cogita antecipar mudanças ministeriais previstas para agradar aliados

O principal alvo volta a ser o PSDB, que não define se é governo ou se desembarca

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postado em 09/11/2017 06:00

Pedro Ladeira/Folhapress

 

O presidente Michel Temer está cada vez mais nas mãos do Congresso e agora admite fazer uma minirreforma ministerial para acalmar a base e tentar salvar a reforma da Previdência. O principal alvo volta a ser o PSDB, que não define se é governo ou se desembarca. Mas o “Centrão” — que reúne os principais partidos não ideológicos da Casa — também não quer deixar os louros de uma medida importante para a economia nas mãos do PMDB e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

 

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“Antes de pensar em qualquer coisa, o governo precisa rearrumar a base. Se o Planalto tem 200, 220 hoje e conseguir acalmar o clima aqui na Casa, consegue mais uns 100 deputados para apoiar a proposta. Eu conheço essa turma”, disse o líder do PP, Arthur Lira (AL).


Lira defende a saída do ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, e a redução da cota do PSDB ao tamanho proporcional dos votos dados nas duas denúncias contra o presidente Temer. “Não quero que tirem todo o PSDB do governo, mas podem diminuir as pastas. Não dá para um partido que deu 20 votos ter quatro ministérios. Se quiserem mexer no PP, que deu 84% dos votos para o governo, mexam. Só não nos tirem a Saúde”, alertou Lira.


Vice-presidente da Câmara, o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) afirma que, independentemente de qualquer gesto do governo de recomposição da base, não há clima para que a proposta seja aprovada. “A reforma da Previdência virou um demônio para a população. Ninguém quer defender qualquer mudança nas regras da aposentadoria porque sabe que perde voto. O governo perdeu a batalha da comunicação.”

 

O Executivo está tão perdido no debate que ninguém sabe dizer se a reforma ministerial sai este ano, se inclui apenas o PSDB ou se antecipa as mudanças que precisam ser feitas quando os ministros candidatos se desincompatibilizarem para concorrer nas eleições de 2018. “Eu acho que poderia fazer tudo de uma vez já. O governo tem só dois anos. Entraríamos no ano que vem com a equipe que concluiria o mandato”, defendeu o vice-líder do PMDB, Carlos Marun (MS).

Boicote


Há quem também arrume como desculpa as recentes declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que está disponível para uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto em 2018. Tudo começou com o PSD, que, há pouco mais de um mês, disse que o titular da Fazenda seria um bom candidato a sucessor de Temer.


“Se a reforma sair e a economia decolar, Meirelles vira um nome forte. E ninguém deseja isso agora”, destacou um analista político. “Sinceramente? Ninguém no meio político sabe quem é Meirelles. Estamos pouco ligando para isso”, desdenhou Artur Lira. “O Centrão está boicotando? Meirelles não pode ser o candidato deles também? Melhor do que o Alckmin (Geraldo Alckmin, governador de São Paulo), que fez cara de paisagem quando precisamos dele”, devolveu Marun.

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