Saída de Bruno Araújo reduz a participação do PSDB na Esplanada

Líder na Câmara, Aguinaldo Ribeiro aparece como um dos cotados para assumir a pasta

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postado em 14/11/2017 06:00

Marcos Corrêa/PR

O governo iniciou o desembarque do PSDB pela pasta que mais verbas tem para investimento: Cidades. Poucas horas após a cerimônia de entrega dos primeiros cartões reforma, o ministro Bruno Araújo entregou a carta de demissão ao presidente Michel Temer e iniciou a saída dos tucanos. A pasta é alvo de cobiça do PP, que já comanda a Caixa Econômica Federal, principal financiadora dos programas Minha Casa, Minha Vida e Saneamento Básico. Já o PMDB quer desalojar Antonio Imbassahy da Secretaria de Governo.


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No Congresso, a bolsa de especulações é alta. Comenta-se que o atual líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PB), poderia retornar à pasta que já ocupou durante o governo Dilma. Para seu lugar, iria o atual líder do partido, Artur Lira (AL). Mais do que promover a saída do PSDB, o governo quer sinalizar a disposição de atender a base para tentar aprovar a reforma da Previdência na Câmara antes do recesso parlamentar, que começa em 22 de dezembro. A dúvida é se o Planalto vai bancar duas pastas robustas para o PP, que também tem o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

A queda de Bruno colocou Antonio Imbassahy na linha de tiro. Curiosamente, uma das vozes mais enfáticas na defesa da exoneração do tucano é justamente a de Artur Lira. Mas é o PMDB quem deseja colocar as mãos na articulação política do governo, retomando a trinca de poder do círculo mais próximo ao presidente, composta ainda pelo chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

Imbassahy chegou ao governo como uma forma de agradar ao PSDB do senador Aécio Neves (MG), após a queda de Geddel Vieira Lima. Mas o partido foi implodindo internamente, após as delações da JBS, e tornou-se uma legenda rachada no apoio ao governo. “Tem de analisar com cuidado o que vai ser feito. Afinal, tem uma parte do PSDB que vota conosco”, alertou Mansur.

Além do exonerado Bruno e de Imbassahy, o PSDB tem outras duas pastas sob seu comando: Direitos Humanos, com Luislinda Valois, e Relações Exteriores, com Aloysio Nunes Ferreira. Aliados afirmam que a ministra ficou muito desgastada após as recentes reclamações quanto às dificuldades de se manter com o salário de R$ 33 mil. Ela queria acumular os vencimentos de ministra com o de desembargadora estadual aposentada, o que totalizaria R$ 61 mil. As declarações repercutiram muito mal e ela recuou.

Já Aloysio parece ter uma estabilidade maior. Ele teria sinalizado ao Planalto que não pretende concorrer nas eleições do ano que vem, o que permite a ele permanecer no cargo após o prazo de desincompatibilização, marcado para abril. Além disso, ele tem sido um dos ministros mais enfáticos na defesa do governo e da permanência dos tucanos no primeiro escalão. A saída dele poderia parecer uma punição ao PSDB, avaliam aliados.

Para outro vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), o Planalto precisa ser pragmático neste momento. “O presidente Temer tem de avaliar se as mudanças feitas renderão ou não votos para a reforma da Previdência. Se renderem, ele deve fazê-las”, defendeu. Embora defenda as mudanças, o vice-líder do PMDB na Câmara, Carlos Marun (MS), fez questão de elogiar os tucanos-ministros. “Eles sempre tiveram uma atuação de lealdade em relação ao governo. Isso torna mais difícil promover qualquer mudança”, ponderou.
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