Ex-advogado da Odebrecht diz que documentos contra ele e Temer são falsos

O ex-advogado da Odebrecht Tacla Duran disse ainda, à CPI da JBS, que foi pressionado para incriminar determinados políticos

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postado em 30/11/2017 13:01 / atualizado em 30/11/2017 15:56

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, por meio de videoconferência, o ex-advogado do grupo Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, afirmou que os documentos apresentados contra ele, e que serviram para compor a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, são falsos. Ele também disse que houve pressão para incriminar determinados políticos. A audiência foi realizada na manhã desta quinta-feira (30/11).
 
 
Tacla Duran é acusado de crimes como lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Ele teria coordenado o pagamento de comissão a parlamentares em troca de obras públicas que beneficiariam a construtora. 
 
O advogado afirmou que levou a denúncia contra ele a peritos da Espanha, segundo os quais os “documentos estavam adulterados e falsificados”. A justificativa é que todos esses documentos tenham sido emitidos em 2017, um ano após o sistema Droysus ter sido bloqueado pela Operação Lava Jato.
 
As mesmas provas ajudaram a compor a segunda denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra Michel Temer e foram apresentadas no inquérito contra o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. "Os extratos mostram que o sistema foi manipulado. A partir desse momento, as provas são viciadas", disse.
 

Proposta de delação 

 
Tacla Duran confirmou aos parlamentares que chegou a receber uma proposta, por e-mail, do Ministério Público para que ele assinasse um acordo de delação, mas que se recusou a fazê-lo. "Eles queriam criminalizar minha profissão e imputar crimes que eu não cometi. Eu refleti, e mesmo sabendo das dificuldades que eu enfrentaria, e que eu sofri, decidi que não assinaria”, afirmou. 

Além disso, o advogado Carlos Zucolotto, que negociou diversos acordos de delação premiada no âmbito da Lava-Jato e é próximo ao juiz Sérgio Moro, teria tentado um acordo "por fora" com Duran. Zucolotto teria pedido R$ 5 milhões, e em troca, conseguiria a redução da multa que Duran que deveria pagar em um acordo de colaboração. Antes do depoimento desta quinta-feira, Duran já havia afirmado ter sido orientado para buscar um advogado "da panela da Curitiba", e por isso tinha procurado Zucolotto.
 
"Naquele momento, quando ele me enviou as mensagens, percebi que havia uma preocupação essencialmente financeira. Naquela conversa, ele propôs reduzir a multa avaliada em R$ 15 milhões para R$ 5 milhões (de honorários)”, contou. Para comprovar a proposta, Duran disse ter tirado foto das mensagens e enviado aos parlamentares da Comissão. "Eu não aceitei. Eu estava constrangido, aquilo estava parecendo uma extorsão", alegou. O valor seria pago para o próprio Zucolotto e para pessoas que estavam "ajudando ele". 
 

Pressão para apontar contas 

 
O advogado contou também ter recebido uma planilha de um funcionário da construtora, com valores e contas no exterior. O pedido era para que Duran identificasse os beneficiários de cada uma delas, mas isso não teria sido possível. “Os mecanismos que tínhamos não eram o suficiente para que eu conseguisse. Então, eu falei que não consegui. Ele ficou muito chateado, na verdade, irritado. Ele falou que isso era muito importante e que tinha que responder ao Marcelo (Odebrecht), porque ele ia tentar pressionar o governo, vinculando essas contas para a campanha da presidente Dilma”, relatou.
 
Nessas planilhas, Rodrigo Tacla Duran confirmou que ficou “claro” que haveria contas de Mônica Moura e de João Santana, responsáveis pela campanha presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014. “Se não são deles, são de pagamentos solicitados por eles”, completou. 
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