Ex-presidente Lula retoma caravana, de olho nas eleições de 2018

Mesmo sem estar confirmado oficialmente nas eleições, ele passa pelo o Rio de Janeiro e para o Espírito Santo em busca de votos

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Divulgação/PT Brasil

 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou nesta segunda-feira (4/12) seu terceiro giro pelo país. Mesmo sem estar confirmado oficialmente nas eleições, ele passa pelo o Rio de Janeiro e para o Espírito Santo em busca de votos para 2018. Nos dois estados, o partido está sem força, acreditam especialistas, e, por isso, a comitiva pode enfrentar manifestações — especialmente dos apoiadores de Jair Bolsonaro (PSC), cujo domicílio eleitoral é justamente o Rio —. Na capital fluminense, Lula amarga desvantagem de mais de 5% nas intenções de voto em relação a Bolsonaro, apontado em todas as pesquisas como o maior rival da estrela petista em uma possível reeleição.
 
 
A fragilidade do PT no Rio contrasta com os altos índices de Bolsonaro no Estado, pelo qual ele se elege deputado federal há décadas e foi, inclusive, o mais votado em 2014. “O PT nunca foi um partido muito forte aqui, mas o Lula tinha uma deferência por causa das alianças com o (ex-governador Anthony) Garotinho (PR), o (ex-governador) Sérgio Cabral (PMDB) e do (ex-governador) Eduardo Paes (PMDB). Foi ele que conseguiu eleger a Benedita (ex-governadora Benedita da Silva), apoiada pelo Garotinho. Mas, com essa crise, o carioca passou a acreditar que os petistas estão no meio desse turbilhão, das prisões dos parlamentares e das demais autoridades e dos esquemas de corrupção, por conta, entre outras coisas, do bom relacionamento que o Lula tinha com todo mundo que está na cadeia”, explicou o professor de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Paulo Bahia.
 
O sociólogo acredita que menos de metade dos eleitores fluminenses deve, efetivamente, dar seu voto a Lula ou Bolsonaro, no caso de uma eleição entre os dois. “Fiz os cálculos e acho que nem 50% das pessoas vai dar votos válidos para presidente. O campeão no Rio será o 'não-voto': brancos, nulos e abstenções. Estamos descontentes com todas as forças políticas, não temos dinheiro para salários nem para o fornecimento de necessidades básicas, como saúde e educação”, continuou Bahia, lembrando casos como atraso nos subsídios dos servidores públicos e a falta de leitos em hospitais mantidos pelo Estado.
 
O Rio é o domicílio eleitoral de Bolsonaro e, mesmo desgastado no Estado, o PT deve lançar o ex-ministro Celso Amorim numa tentativa de ocupar o Palácio da Guanabara. No Espírito Santo, a sigla sequer terá um candidato a governador. “A expressividade do PT é baixa. Existe uma base social, mas ela nunca foi muito grande. Mesmo quando o Lula foi candidato em 2002, a resposta já não era satisfatória. O maior trunfo que o Lula tem nas mãos é apelo solidário, essa coisa que emociona as pessoas em seu discurso”, explicou o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Marcelo Vieira.
 
O discurso forte, no entanto, pode acabar sendo um grande inimigo de Lula no Espírito Santo, onde o ex-presidente conclui sua terceira caravana no país. “Vitória (a capital do Estado) tem um eleitor muito moderado, uma qualidade de vida boa, gente que não quer ouvir um líder extremista. Acredito que as pessoas tenham planejado algum tipo de manifestação, um movimento que reaja à visita dele. No Rio, ainda mais que aqui. Lá, com os apoiadores do Bolsonaro, a coisa deve ir mais longe. É hora de fortalecer os colégios eleitorais onde o PT não tem tanta força, que é justamente o Sudeste do Brasil”, acrescentou o cientista político.
 
Durante uma reunião com dirigentes do PT de São Paulo, semana passada, o ex-presidente que setores do mercado promovem terrorismo contra sua candidatura, e afirmou que “estão criando uma guerra de classe” contra sua participação nas eleições de 2018. Lula disse ainda que seu governo foi uma prova de que “não há risco de instabilidade para o mercado financeiro”, caso ele volte a ocupar o Palácio do Planalto, onde permaneceu por oito anos e conseguiu eleger Dilma Rousseff (PT) durante dois mandatos — o último deles, interrompido a um ano e meio.
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