Com apoio do PMDB, otimismo está cada vez maior pela votação da reforma

Como o PMDB decidiu se posicionar a favor da reforma da Previdência, aliados do presidente Michel Temer avaliam que aumentou ainda mais a possibilidade de se apreciar a PEC este ano na Câmara. Senado, no entanto, somente no ano que vem

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AFP / EVARISTO SA


Articuladores políticos, ministros e o presidente Michel Temer reúnem-se novamente hoje para avaliar se a estratégia de rolo de compressor para aprovar a reforma da Previdência este ano está, de fato, surtindo efeito. O dia de ontem trouxe um viés de otimismo para a base de apoio, após a decisão do PMDB de fechar questão a favor da reforma, gesto que pode ser seguido por legendas como o PP, o PTB e o PRB. Até o PSDB está saindo do marasmo e pode apoiar o texto. “Ainda falta, mas o humor está muito melhor”, garantiu o vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP).



A ordem, contudo, é conter o otimismo e continuar trabalhando. Durante almoço ontem com o presidente da Bolívia, Evo Morales (leia mais na página 8), o presidente Michel Temer ressaltou que o texto apresentado pelo governo traz uma transição “extremamente suave” para não “agredir eventuais desejos e direitos” dos brasileiros. Temer defendeu a proposta, embora tenha adiantado que ela só vai a voto se o governo tiver a certeza da vitória.

“Quero ressaltar, enfatizar, até enaltecer o fato de que, hoje, a aposentadoria se dá com 55 anos para o homem e 53 anos para as mulheres. E eu digo isso porque, muitas vezes, quando se fala que a aposentadoria é de 65 anos, a divulgação equivocada é que é para amanhã, e não é para amanhã. Essa idade é para daqui a 20 anos. Ou seja, começa hoje, com 55 anos, e, a cada dois anos, aumenta um”, ressaltou.

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O presidente disse ainda que há uma espécie de “terrorismo inadequado” por parte de alguns agentes da sociedade que informam sobre a reforma. “Digo isso porque, de vez em quando, espalham: ‘Olhe, vão tomar a sua aposentadoria, vão tirar sua aposentadoria’. É um terrorismo inadequado, porque a essência da reforma é combater privilégios”, destacou.

Punições

A expectativa do governo é de que o texto possa ser votado ainda este ano. O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), admitiu que o gesto do partido poderá estimular outras bancadas a seguir o mesmo caminho. “Já estamos encaminhando o pedido de fechamento para a executiva nacional”, disse Baleia. Ainda não há previsão de reunião da cúpula do PMDB.

“A maioria absoluta da bancada do PMDB definiu que vai encaminhar a sugestão de fechamento de questão para a Executiva Nacional, como manda o nosso estatuto. Acredito que o presidente Jucá (senador Romero Jucá, presidente nacional do PMDB) convocará a reunião da Executiva para deliberar sobre o assunto”, acrescentou o líder, em entrevista coletiva.

O líder peemedebista disse que eventuais punições serão decididas pelo partido. “Essa é uma questão partidária (...). Estatutariamente, o partido, e não a bancada, vai definir o que acontecerá com quem não acompanhar. Mas eu acredito que, com o convencimento, nós vamos ter a maioria da bancada a favor dessa proposta”, declarou.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, avalia que cresceu muito a probabilidade de aprovar o texto. Se os partidos do “Centrão” decidirem, de fato, fechar questão, somados a um possível alinhamento do PSDB, Padilha acredita que haverá segurança para se afirmar que a proposta possa ser aprovada. Sobretudo pela expectativa de posicionamento dos tucanos. “Seguramente, nós teremos uma posição também favorável do PSDB, e não tenho dúvida nenhuma. É uma questão programática do partido o compromisso com o ajuste fiscal. E o ajuste não existe sem a reforma da Previdência”, ponderou.

Se, em relação à Câmara, o otimismo aumentou, ninguém acredita que uma possível análise da matéria no Senado ocorra este ano. “Neste momento, é impossível, pelo cronograma que está prestabelecido no Senado. O encerramento das atividades na Casa torna impossível a aprovação em dois turnos este ano”, justificou.

O líder do governo na Câmara, Agnaldo Ribeiro (PP-PBN), sugere que, caso o governo consiga atingir o número de votos necessários, seja estabelecido um esforço concentrado semana que vem, com sessões começando na segunda a fim de que a Previdência seja votada na quarta. “Se der certo, quebra-se o interstício para se votar o segundo turno em seguida. Não podemos deixar o deputado voltar para a base na promessa de que na semana do dia 20, antes do Natal, estará aqui para votar a Previdência”, disse Agnaldo.

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