Jornal Correio Braziliense

Dyogo Oliveira acredita que reforma da Previdência será aprovada em 2017

Ele não cogita que a mudança nas aposentadorias ficará para o ano que vem, pois o controle do crescimento da dívida pública chegará a 100% do PIB em 2021, sem a reforma

Rosana Hessel
De acordo com Oliveira, as mudanças da reforma será gradual - Foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, está mais confiante com o avanço da reforma da Previdência, apesar da piora da confiança nos mercados que abriram com queda na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) com queda de quase 2% enquanto o dólar subia 1,67%. Para ele, a proposta será aprovada ainda este ano na Câmara dos Deputados. Ele não cogita que a mudança nas aposentadorias ficará para o ano que vem, pois o controle do crescimento da dívida pública chegará a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, sem a reforma.
 
“Com a reforma, a dívida pública se estabiliza em 80%, e vamos ter um PIB maior e juro menor”, destacou Oliveira, nesta quinta-feira (07/12), durante café da manhã com jornalistas. Ele disse que o jantar com líderes, realizado ontem no Palácio da Alvorada, havia menos resistência dos parlamentares.
 
“Estou muito mais otimista com a reforma da Previdência. Com as discussões que estão ocorrendo, a adesão está crescendo porque a nova proposta tem menos resistência”, afirmou ele, acrescentando que, ontem, teve líder que disse que o cenário era péssimo no começo do ano e hoje passou para razoável. “Com mais trabalho de convencimento, a reforma vai alavancar um nível bom de aprovação”, apostou.
 
De acordo com Oliveira, as mudanças da reforma será gradual, mas será possível entregar “mais de R$ 500 bilhões nos primeiros 10 anos”.  “É um impacto relevante”, frisou ele, reconhecendo que, no primeiro ano, essa redução de despesas com a Previdência será mínimo.

PIB

O chefe do Planejamento destacou que  o desempenho do PIB neste ano e no próximo ficarão acima das previsões atuais do governo, de alta de 0,5% e 2%, respectivamente. “Os últimos dados do PIB brasileiro do terceiro trimestre indicam que o carregamento estatístico de 2017 está em 1% e é bastante possível que a economia encerre o ano com alta acima de 1%”, disse. “
 
“O cenário aponta mesmo para um consenso em torno de 2,5%, talvez um pouco mais, o que é um número importante ainda abaixo do potencial, o que só reforça a continuidade do processo de reformas”, disse ele, acrescentando que é preciso avançar em outras reformas, principalmente, a tributária, “elemento importante de estabelecimento de bases para uma economia com PIB potencial mais alto”.

Receita

O ministro ainda demonstrou confiança com o crescimento das receitas em 2018 devido à revisão para cima das projeções do PIB no ano que vem.  Ele adiantou que o governo não está contabilizando receitas extraordinárias na área de petróleo, que podem ajudar no cumprimento da meta fiscal, de deficit de até R$ 159 bilhões nas contas do governo federal.
 
“Estamos muito otimistas a respeito da arrecadação no ano que vem. Teremos a continuidade do processo de recuperação de desde agosto estamos percebendo a realização de receita até um pouco acima do previsto, mas tem sido um movimento consistente que reflete outro movimento a recuperação da economia, que será mais disseminada no ano que vem”, afirmou.
 
“As receitas vão continuar performando bem em 2018. E fomos muito conservadores. Deixamos de fora pontos que podem contribuir no Orçamento, como a revisão dos valores da cessão onerosa do pré-sal e leilão de petróleo”, completou.
 
Oliveira não demonstrou preocupação com o adiamento de algumas propostas para elevar a receita que dependem do Congresso. Para ele, se a medida provisória do adiamento dos reajustes dos servidores não for aprovada neste ano, isso pode ocorrer no ano que vem e não atrapalhará a postergação dos aumentos, que passará a vigorar a partir de janeiro. No entanto, o projeto de lei da desoneração, segundo ele, precisa ser votado este ano para começar a valer a partir do início do ano.