Confiança de Temer oscila quando o assunto é aprovação da reforma neste ano

A mudança no tom não poderia ser diferente. Afinal, Temer deu, no final da tarde de ontem, a cartada final pela aprovação da reforma

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postado em 13/12/2017 06:00

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 9/8/17


Entre idas e vindas. Assim foi o tom de confiança do presidente da República, Michel Temer, quanto à possibilidade de aprovação da reforma da Previdência ainda em 2017. No início da tarde de ontem, após almoço no Palácio do Itamaraty com o presidente da Macedônia, Gjorge Ivanov, o peemedebista chegou a dar sinais de consternação de que a apreciação do texto poderia ficar para 2018. Entre discursos ao fim da tarde e início da noite no Palácio do Planalto, no entanto, a entonação era outra. O chefe do Executivo Federal foi assertivo, mostrando empenho para que a proposta seja votada na Câmara dos Deputados na próxima semana.

A mudança no tom não poderia ser diferente. Afinal, Temer deu, no final da tarde de ontem, a cartada final pela aprovação da reforma. Às 18h, iniciou a uma reunião no Palácio do Planalto com a presença de cerca de 154 dirigentes empresariais. O evento ainda contou com a presença de ministros e líderes governistas. “Precisamos fazê-la (a votação) já. O momento é agora. Por isso, temos que aprovar este ano, com apoio do Congresso”, afirmou. Confiante, o peemedebista ressaltou que não teme os efeitos de uma possível derrota. “Evidentemente não seria uma derrota. De qualquer maneira, a reforma ficará na pauta o tempo todo”, justificou.

O presidente reconhece ser “mais do que legítimo” que os parlamentares se preocupem com os efeitos de uma eventual votação da proposta para as aspirações nas eleições de 2018. Mas ressalta que, com o texto, “o tempo todo” na pauta da Câmara significa que não haverá candidato a senador, deputado federal, governador e presidente que não será questionado a respeito da posição sobre a reforma. “Seja em 2018, ou em 2019. E não queremos que aconteça. Acontecendo isso agora (a votação este ano), tira isso da frente. Votamos agora (este mês) na Câmara, e em fevereiro no Senado”, destacou.

As declarações de Temer aos empresários mostraram uma confiança bem diferente da proferida horas antes. À imprensa, no Itamaraty, o peemedebista destacou que, se o governo tiver os 308 votos, a proposta vai à votação. “Caso contrário, espera-se o retorno em fevereiro, e marca-se (a votação) em fevereiro”, disse. Mas o governo não quer esperar. Nem alguns líderes da base. Na reunião com os dirigentes, o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), assegurou que as lideranças “farão de tudo” para aprovar a reforma este mês. “A hora é agora”, afirmou.

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Os empresários terão um papel importante no processo de convencimento de deputados. A eles o governo incumbiu o dever de destacar a importância da matéria em “publicações, falas e em encontros”, pediu Temer. Cobrança feita e que já é acatada. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, disse que dirigentes da entidade estão levando aos parlamentares o pedido de “sair do imediatismo” e “pensar em um país melhor para o futuro”. “Por isso, concordamos que tem que ser votado imediatamente. Temos que ir à luta e conseguir os votos. A sociedade está madura para entender isso. Todos entendem que, se não aprovar hoje, não dá mais para esperar”, disse.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, também cobrou a importância de que a reforma seja aprovada ainda em 2017. “Se não aprovarmos agora, vamos ter municípios e estados com grandes dificuldades fiscais, como vemos hoje”, avaliou. O apoio à reforma não ficará restrito aos empresários. Na manhã de hoje, no Planalto, Temer receberá cerca de 200 prefeitos para cobrar o apoio à proposta, nos mesmos moldes dos líderes empresariais.

Há, no entanto, líderes governistas que ainda adotam uma linha mais comedida quanto à possibilidade de votar o texto em 2017. Para o deputado Arthur Maia (PPS-BA), é preciso votar apenas quando o governo tiver os votos necessários. E não apenas 308. “Uma derrota representaria um grave risco para a nossa economia. E, por isso, temos que ir com garantia não de 308 votos, mas com 320 ou 330. Temos que fazer com maestria para coroar todas as reformas feitas”, sustentou.

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