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"Não havia condições visuais de pouso", diz FAB sobre acidente de Teori

Investigação aponta indícios de desorientação do piloto da aeronave e não encontrou sinais de pane nos equipamentos

Renato Souza
postado em 22/01/2018 16:54
Destroços da aeronave que caiu no mar de Paraty e vitimou o ministro do STF, Teori Zavascki em 19 de janeiro de 2017
A Força Aérea Brasileira (FAB) concluiu a investigação sobre a queda do avião que matou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, em janeiro do ano passado. De acordo com o relatório, apresentado nesta segunda-feira (22/1), não foram encontrados sinais de mau funcionamento ou pane. Mas a visibilidade estava baixa, e não tinha condições de pouso ou decolagem por conta das condições de tempo.

A investigação foi realizada pelo Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que tem sede em Brasília. A aeronave, modelo Kingair C 90, decolou do Campo de Marte, em São Paulo, e caiu em Paraty, no Rio de Janeiro, próximo ao local de pouso.
O brigadeiro Felipe Marcondes, chefe do Cenipa, afirmou que a intenção da investigação é prevenir novos acidentes relacionados aos mesmos fatores que levaram a morte do ex-ministro. "A intenção do relatório é a prevenção. Quando a causa de um acidente é conhecida, nós fazemos recomendações para o setor de aviação, com a finalidade de tornar esse setor cada vez mais seguro", destacou.

Os especialistas da FAB identificaram que a visualização estava baixa no momento do acidente. O coronel aviador Marcelo Moreno, que integrou a equipe de investigação, afirmou que as condições do tempo eram ruins na hora do acidente. "Imagens registradas por uma câmera de segurança que fica em um heliponto de Paraty, vemos que haviam muitas nuvens, chuva e nevoeiro. O ideal para pouso é uma visibilidade horizontal de 5 mil metros. Na hora da queda da aeronave a visibilidade era de 1.300 metros, abaixo do recomendado" explicou Moreno.

O avião realizou várias tentativas de pouso antes de cair no mar. O trem de pouso estava recolhido e de acordo com a investigação, todos os presentes no voo morreram por politraumatismo, ou seja, por diversas lesões causadas pelo impacto com a água. Além de Teori, morreram no acidente o empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, a massoterapeuta Maira Lidiane Panas, a mãe dela, Maria Ilda Panas e o piloto Osmar Rodrigues.

Ilusões visuais

A investigação apontou que o local é propício a confundir o piloto sobre a altitude. Regiões planas, como o mar fazem com que a tripulação tenha as chamadas "ilusões visuais" e tenham impressões equivocadas sobre a altura da aeronave e distância do solo.

A asa direta tocou a água primeiro e foi arrancada, o que pode representar uma desorientação do piloto, de acordo com o Cenipa. O aeroporto de Paraty não opera por instrumentos, por conta das características geológicas do terreno.

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