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Correio Braziliense

Criminalidade, acidentes de trânsito e preços altos preocupam Altamira

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postado em 29/06/2014 07:00 / atualizado em 29/06/2014 16:00

Paulo Silva Pinto - Enviado Especial /Redação

Altamira (PA) — Quanto vale o real? Em julho de 1994, a nota verde, hoje coisa de colecionador, dava para comprar “um quilo de carne sem osso”, conta o maranhense Antônio José da Costa Mendes, 57 anos. Hoje, a moeda dourada e prateada de R$ 1 dá para comprar um pãozinho de padaria. Quando o alimento sobra de um dia para outro, ele joga para o jacaré que vive embaixo de sua janela, nas águas escuras do rio Xingu. O aluguel da palafita de três cômodos custa R$ 700 por mês. Leia mais matérias sobre o especial Real 20 anos

O que multiplicou os preços não foi uma corrida do ouro, foi a da energia. A obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte começou em 2011 e deverá durar até 2019, consumindo R$ 26 bilhões. Antônio trabalhava ali, ganhando R$ 1.200, até ser mandado embora. Espera a mulher, também operária, fazer um acordo para voltarem a São Bernardo (MA).



A compensação pela hidrelétrica prevê a construção de uma rede de esgotos em toda a cidade e a revitalização da orla, com a remoção da área de palafitas. Os moradores estão recebendo casas novas em uma região alta da cidade. “Vai ficar ruim pela distância”, queixa-se a aposentada Santana Gomes da Silva, 57. Ela, dois filhos, duas noras e quatro netos dividem duas casas. “Quando o salário sobe, os preços já aumentaram”, queixa-se.

Mariza Benjó Cardoso, 23, vizinha de Santana, é índia caiapó, mas cresceu fora da aldeia, em uma área rural. “Eu preferia morar no mato”, conta ela, que foi para Altamira fugindo de violência na própria família. Ela está entre os que lamentam a construção de Belo Monte, que vai alterar o fluxo de água no rio para gerar energia.

Solange da Silva Queiroz, 24, ganhava salário mínimo como vendedora da Big Ben, magazine no centro da cidade. Virou operadora de escavadeira na obra da usina, o que lhe rende R$ 2,1 mil mensais. Há pouco menos de dois anos, conta, o quilo do feijão custava R$ 3. Hoje é o dobro. “Quando a gente sai para comer uma pizza, gasta R$ 70”, reclama.

O secretário municipal de administração, Fabiano Bernardo, 30, conhece moradores que alugaram suas casas em áreas centrais por R$ 5 mil que foram para a periferia. Ainda que alguns ganhem, ele reconhece a insatisfação. “A cidade vive o caos, com lama e poeira para todo lado. Mas a prefeitura não pode consertar as ruas enquanto há outras obras”, explica.
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