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Correio Braziliense

Custo de vida de 6,5% está acima do tolerado, diz economista Gustavo Franco

O especialista faz uma avaliação dos 20 anos de plano Real

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postado em 02/07/2014 06:03 / atualizado em 03/07/2014 08:06

Rosana Hessel

Mais do que um plano de estabilização, o Real foi resgate de um símbolo da identidade nacional, na avaliação de um dos principais atores do processo, o economista Gustavo Franco. “A moeda tem uma importância comparável à bandeira e ao hino. Ela vinha sendo enxovalhada de um jeito inadmissível”, afirma. Com doutorado na universidade Harvard, nos Estados Unidos, Franco era secretário adjunto de Política Econômica quando o plano foi criado. A partir de 1995, tornou-se diretor da Área Externa do Banco Central (BC), e, entre 1997 e 1999, presidente da instituição.

Um dos idealizadores da Unidade Real de Valor (URV), mecanismo essencial para a conversão dos valores ao novo padrão monetário, Franco afirma que a atual escalada de preços, “ainda que em nível moderado”, está muito acima do que deveria ser tolerado. Os problemas que o Brasil atravessa, diz, devem-se, sobretudo, ao abandono do tripé econômico — meta de inflação, câmbio flutuante e superavit primário. A seguir, trechos da entrevista ao Correio.


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Qual é sua avaliação desses 20 anos do Plano Real e que legado foi deixado nesse período?
Minha avaliação é positiva, claro. São 20 anos em que há um legado do resgate de um dos mais importantes símbolos nacionais. A moeda tem uma importância comparável à bandeira e ao hino. Ela vinha sendo enxovalhada de um jeito inadmissível, havia muitos anos. A recuperação da moeda é um projeto maravilhoso de recomposição da nossa própria identidade. O principal legado é a cultura da estabilidade de valores que passou a fazer parte do imaginário da população. Estávamos em um caminho perigoso, em que a inflação alta e o tumulto econômico eram como que parte da normalidade. O Real restaurou uma nova normalidade, uma nova maneira de ver a vida muito melhor, e acho que isso é para sempre.

Quais foram as principais batalhas travadas durante esses 20 anos?

Tivemos duas batalhas muito definidas contra a inflação. Uma, durante a URV, que trouxe a inflação de 2.000% ao ano, nos últimos meses que precederam o plano, para 33%, que foi a inflação anual dos primeiros 12 meses de vida da moeda. Essa foi a primeira batalha, uma guerra que enpregamos alta tecnologia, que foi a URV, um instrumento pouco convencional e que funcionou muito bem. Mas trazer 33% para 1,5% foi uma guerra de infantaria, de corpo a corpo e de convencimento. Foi importante desindexar as mentes para termos uma inflação de Primeiro Mundo. Essas duas batalhas são parte de uma guerra maior na qual o que está em jogo é o desenvolvimento brasileiro. Aí fizemos reformas que, no começo, eram parte da batalha contra a inflação. É uma pena que as reformas foram perdendo seu impulso, e, se hoje, a gente enfrenta deficiências, elas têm muito a ver com o fato de termos fraquejado no esforço das reformas. Economia é um organismo dinâmico. Se não houver reformas, ela tende a estagnar. Não é uma máquina condenada ao sucesso. Tem que manter o ritmo de mudanças.

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