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Publicação: 08/10/2010 13:54 Atualização: 08/10/2010 18:44
De repente, algo trivial como caminhar torna-se um martírio. Cada passo incomoda. Pular, brincar ou subir escadas não são mais tarefas tão fáceis. O jeito é se movimentar o mínimo possível, para que as dores não aumentem ainda mais. Assim como os humanos, os animais também sofrem com dores articulares — mas, ao contrário de nós, não conseguem avisar quando algo não está indo bem. Entretanto, basta um olhar atento ao bichinho para descobrir se ele está ou não passando por maus bocados causados por inflamações nas juntas.
Fabiana Brandino, 27 anos, sabe bem a importância de prestar atenção aos sinais de seu animal de estimação. Em junho do ano passado, Djiro, seu pastor alemão, precisou passar por uma cirurgia para tratar um câncer no baço. “Ele urinava sangue, achei que fosse algum problema na próstata”, conta a bancária. A recuperação ocorreu sem maiores problemas, mas, em fevereiro deste ano, as coisas começaram a se complicar novamente. Apesar de seus quase dez anos de idade, Djiro sempre teve o fôlego e a disposição de um animal jovem. Mas Fabiana notou que seu cachorro não estava mais levantando com a mesma vitalidade de antes e passava grande parte do tempo deitado e triste. “Descobrimos que ele estava com displasia coxofemural”, diz a dona.
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| O pastor Djiro foi diagnosticado com displasia coxofemural |
Embora relacionadas a animais idosos, Carlos Augusto Nunes frisa que cachorros jovens e os de pequeno porte também podem desenvolver doenças nas articulações — tudo vai depender do modo como você trata seu bichinho. Uma alimentação não balanceada pode fazer com que o cachorro ganhe ainda mais peso (o que exigiria ainda mais das juntas e agravaria o problema). Exercícios físicos em excesso também prejudicam a saúde do animal, que corre mais riscos de romper um ligamento ou sofrer contusões que podem levar ao trauma articular.
Mas claro que nem tudo é culpa dos donos. O veterinário José Lino Martins explica que as doenças podem ser ocasionadas por problemas genéticos — como a displasia de Djiro — ou de coluna. “A hérnia de coluna, também chamada de síndrome da cauda equina, é outra complicação recorrente”, diz. A doença, causada pela combinação de artrose com má-formação óssea, alterações degenerativas e articulações instáveis, pressiona os nervos que passam pela coluna e raízes nervosas. De tanta dor, alguns cães podem até se automultilar, mordendo os membros traseiros ou a cauda. “Usamos anti-inflamatórios, analgésicos, antibióticos e opioides para aliviar a dor, mas, dependendo da situação, o tratamento precisa ser cirúrgico”, completa José Lino Martins.
Para tratar o problema de forma adequada, a veterinária Andrea Bonates ensina: é importante tomar uma série de medidas para transformar a casa em um ambiente seguro para o animal. Se o cachorro estiver acima do peso, começar uma dieta balanceada e com poucas calorias é a medida de emergência. Lembre-se que seu pet está sentindo dor, então, evitar que ele tenha acesso a escadas ou fique exposto a situações em que seja necessário se movimentar em demasia é o segundo passo. “O piso não pode ser muito liso, para que ele não derrape e tenha firmeza ao andar”, finaliza Andrea.
Após investigar a vida, o ambiente e a rotina do animal, o procedimento médico inclui exames manuais e de raios x, para descobrir em qual estágio a doença está. “O tratamento é baseado em perda de peso, manejo do ambiente e medicações”, resume Andrea. Ela explica ainda que esses medicamentos agem como regenaradores da cartilagem, uma vez que são feitos à base de sulfato de condroitina — substância que já faz parte da cartilagem articular. Os remédios repõem o sulfato de condroitina perdido durante os processos degenerativos, além de funcionarem como anti-inflamatórios.
Apesar de silenciosas, as doenças articulares mudam o comportamento dos animais. Aprenda a identificá-las para que seu bichinho de estimação não sofra:
Fontes: Carlos Augusto Nunes, José Lino Martins e Andrea Bonates, médicos veterinários
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