COMPORTAMENTO

Com gostinho de saudade

A Revista ouviu várias pessoas que passaram ou vão passar o Natal longe da família por estarem no exterior. Dá para ser feliz nessa circunstância?

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postado em 21/12/2014 08:00 / atualizado em 19/12/2014 13:01

Bianca Baamonde - Especial para o Correio

Por Bianca Baamonde - Especial para o Correio

Quem se lembra de Esqueceram de mim? O filme narra as aventuras de um garoto esquecido em casa durante a viagem de fim de ano da família. Como na ficção, na vida real, passar o Natal e o ano-novo longe de casa e das pessoas amadas nem sempre é bom. Mesmo assim, há quem dê um jeitinho e faça valer a magia dessas ocasiões apesar da distância.

Família em trânsito

Arquivo pessoal
Os irmãos Lucas Henrique, 22 anos, e Felipe Augusto Schwab, 21, são fortes candidatos a cidadãos do mundo. Lucas já computa o terceiro Natal em terras estrangeiras. No primeiro, aos 15 anos, estava longe havia quatro meses para cursar o ensino médio em Wisconsin, nos Estados Unidos. "Essa época foi a que eu mais senti saudade. Além de o momento ser propício, o inverno havia chegado mais cedo e eu não fazia nada demais enquanto minha família curtia férias na praia." A ceia de Natal na casa do "pai americano" foi acolhedora, mas o ano-novo foi um momento de choque cultural. "Nas cidades pequenas, eles não comemoram, não soltam fogos. Eles simplesmente vão dormir, foi bem estranho pra mim. Eu passei a virada conversando com alguns amigos."

Em 2011, Lucas estava nos Estados Unidos novamente, dessa vez trabalhando em uma rede de fast food. "O restaurante ficava em uma estrada, era bem movimentado e fechava tarde. No Natal, eu estava trabalhando. Acho que fizeram de propósito, já que eu era estrangeiro. Foi bem ruim", relembra. O ano-novo, um pouco mais emocionante, foi em Nova York com os amigos. Apesar de ter aproveitado, ele garante: a saudade era tão grande quanto antes. "Foi uma viagem supercorrida, viajamos no dia 31 e voltamos pra casa no dia seguinte. Quando estava a caminho, meus pais me ligaram e conversamos um pouco. Sempre falava com eles e com meus irmãos", conta.

Apesar de estar sempre saudoso, voltar ao Brasil nunca esteve nos planos dele. "Não era uma opção. Quando eu viajei, fiz uma escolha, tinha que enfrentar essas dificuldades." As boas lembranças ficam por conta dos detalhes talvez despercebidos pelos habitantes locais. "Ver neve no Natal foi uma coisa que eu esperei muito e, de fato, foi muito legal. Parecia um filme", reitera.

Aos 16 anos, Felipe seguiu os passos do irmão e foi hóspede da mesma família em Wisconsin. "Lá em casa, o Natal significa muita comida e conversa. No intercâmbio, não foi muito diferente, porque fui para uma festa com uma família bem grande. Não foi tão triste e solitário quanto eu pensei. Mas foi estranho, porque era a primeira vez que estava longe." Para ele, o real significado da data é aproveitar o tempo com as pessoas importantes.

A mãe dos meninos, Cimone Schwab, 42, que nos últimos anos teve a companhia inseparável apenas do caçula, André, está sempre com o coração apertado por conta da distância. "É nesssa época que todos os familiares se reúnem, já que não moramos na mesma cidade. Apesar de estar alegre, sentia que estava faltando um pedaço de mim." Este ano, a família se reúne na Alemanha, onde os dois mais velhos fazem faculdade.

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