COMPORTAMENTO

Contra o senso comum

Ser mãe é estar sujeita a uma saraivada de conselhos nem sempre úteis, apesar de bem-intencionados

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postado em 25/01/2015 08:00 / atualizado em 27/01/2015 13:32

Gláucia Chaves

Arquivo pessoal
 

 

Criar uma criança é tarefa complexa: como se não bastasse a insegurança natural de mães e pais de primeira viagem, há sempre quem tenha um conselho para dar. O problema é que nem sempre os pitacos têm fundamento e o cabo-de-guerra entre o que dizem os livros, o pedagogo e a avó da criança dão um nó na cabeça da pobre mãe. "A maternidade não é algo intuitivo. Somos pegas de surpresa", comenta Isabel Clemente, jornalista e autora do recém-lançado A pior mãe do mundo (Editora 5W). Na obra, ela fala sobre os desafios de criar uma família com filhos pequenos — incluindo na lista de afazeres lidar com a opinião alheia.

A pediatra Thelma Oliveira, fundadora do grupo virtual Pediatria Radical e autora de O livro da maternagem (Editora Schoba), explica que a maternidade tem um pé nos séculos passados e outro no presente. "As determinações do passado visavam, principalmente, ao resguardo", completa. "A mãe tornava-se objeto de prescrições e proibições sempre ligadas ao corpo: sua higiene, tempo de lavar a cabeça (40 dias!), manter-se recolhida (resguardada) dos olhares alheios." Parteiras, comadres, mães e sogras ficavam incubidas de vigiar o comportamento da futura mãe. "Ela (a mãe) era tratada como doente." Da mesma maneira, Thelma explica que o bebê era mantido no escuro: janelas, portas e frestas eram vedadas por acreditarem que o pequeno teria olhos sensíveis demais à luz.

Andréia Nobre, 32 anos, não tem tempo a peder: quer aproveitar cada segundo da vida do filho Daniel, hoje com um ano. “A criança um dia cresce e esse momento que tenho para tê-lo no colo, beijar, abraçar, vai passar muito rápido”, argumenta. A possibilidade do filho tornar-se um menino mimado, cheio de dengos e manhas, já foi apresentada a Andréia diversas vezes. A mãe, contudo, não vê sentido no alerta. Até porque o garoto já não quer mais saber tanto de colo: quer mais é se movimentar, brincar e aprimorar os primeiros passos.

A mãe conta que não se prende à regras convencionais da maternagem por preferir seguir seus instintos. Daniel nasceu em dezembro e o calor do verão a deixava preocupada. Escutou, em uma consulta pediátrica, que não seria necessário dar água ao garoto, uma vez que o leite materno é suficiente para garantir a hidratação da criança. Mesmo assim, ela desobedeceu: dava pequenas quantidades do líquido na chupeta. “Hoje em dia ele adora água”, conta. Seguir o coração, nesse caso, a deixou mais tranquila, mas nem sempre é assim. A insegurança de mãe de primeira viagem, segundo ela, piora consideravelmente com os conselhos que não param de chegar. “Beijo e abraço meu filho sempre e ele não é uma criança chorona. Na hora de cuidar, vai a questão do coração."


Leia a reportagem completa na edição nº 506 da Revista do Correio.

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