COMPORTAMENTO

E os geeks chegaram ao trono...

A cultura que engloba adoradores de quadrinhos, fãs de jogos eletrônicos e aficionados por ciência pop atinge a maturidade com uma multidão de adeptos

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postado em 25/01/2015 08:00 / atualizado em 23/01/2015 19:59

Juliana Contaifer

 

Zuleika de Souza/CB/D.A Press.

 

Há alguns anos, ser nerd era feio. Significava ser introvertido, tímido, "CDF". A palavra era pejorativa, um palavrão, e, nos filmes dos anos 1980, o nerd era o sujeito franzino, estranho, escondido atrás de um óculos fundo de garrafa com a postura ruim e nenhuma habilidade social, apesar da inteligência aguçada. Atualmente, porém, ser nerd virou moda. Hoje é fácil encontrar pessoas de todos os tipos vestindo camisetas de filmes e seriados de ficção científica, conversando sobre os pormenores da vida de um personagem das histórias em quadrinhos ou participando de longos encontros de RPG. Os bares que visam atender esse público específico e exigente se multiplicam, e os filmes que contam histórias dos super-heróis se transformaram em grandes e lucrativas franquias. E Brasília é, sem dúvida, o polo nerd da Região Centro-Oeste, aponta uma pesquisa de 2013 do site de cultura pop Omelete.


"Antigamente, ser nerd era um refúgio, mergulhava em uma cultura. Eram pessoas que ficavam sozinhas, ou em grupos de poucas pessoas. Na minha época, ninguém sabia o que era Senhor dos anéis, por exemplo, era quase um culto que precisava de uma iniciação. Um amigo te emprestava o livro e você passava a conhecer. Era difícil ser nerd, as pessoas apanhavam na escola, e eu só descobri que era nerd assistindo aos filmes americanos dos anos 1980. Hoje, todo mundo conhece a história, dá para conversar com qualquer grupo sobre esse assunto, e os nerds introvertidos começam a fazer amizade", conta o servidor público e nerd assumido Marcello Larcher, 38 anos. Mesmo assim, ele conta que o termo ainda é pejorativo — seu sobrinho de 12 anos, por exemplo, gosta de "nerdices", mas ainda tem medo de ficar rotulado.


A popularização dessa cultura divide opiniões. "Muita gente considera que a definição de nerd vai se perdendo, mas, ao mesmo tempo, existe uma disponibilidade maior do que é oferecido para esse público", afirma o nerd e cofundador do Omininerdia Welton Rocha, um site brasiliense que funciona como um catalizador de atividades nerds — a ideia é fazer a conexão entre quem está desamparado desse conteúdo com o que é ofertado.


Leia a reportagem completa na edição nº 505 da Revista do Correio

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