REPORTAGEM DE CAPA

Galeria Brasília

A cidade tem uma produção artística de alto nível. Porém, nem sempre sabemos onde conhecer e adquirir as obras. Por isso, nesta edição, trazemos o cartão de visita de criadores que merecem sua atenção

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postado em 12/04/2015 08:00 / atualizado em 10/04/2015 17:39

Carolina Samorano , Gláucia Chaves

O quadradinho transborda de talentos em artes plásticas. Até aí, nada de novo. Porém, nos últimos anos, a cidade avançou muito no quesito visibilidade. Pintores, designers, ilustradores e fotógrafos candangos têm circulado mais — fenômeno que parece estar relacionado à cultura de feiras alternativas e à aposta de galerias com perfil mais ousado. Todo um acervo incrível está, finalmente, vindo à tona. E, com ele, a viabilidade do artista profissional, que depende, sobretudo, da venda de obras.

Para quem deseja investir e ter na parede uma peça única, este é o momento. Há fortes indícios de que a produção candanga entrará mais fortemente no circuito nacional, ou seja, será valorizada. “Trabalho praticamente só com artistas de Brasília. Quase 90% da programação de exposições é de artistas daqui”, aposta Dalton Camargos, proprietário da Alfinete Galeria. “Os artistas daqui estão, há muito tempo, produzindo coisas de qualidade que funcionariam aqui e em qualquer lugar do mundo”, reforça.

Mesmo reconhecendo que o mercado tem crescido, os artistas sabem que é difícil competir no eixo Rio-São Paulo. “O mercado deles é mais robusto, mais profissionalizado”, comenta o pintor Taigo Meireles. “Mas rompemos barreiras importantes nos últimos cinco anos. Vejo que as pessoas começam aos poucos a compreender a arte de Brasília como obra de criação, como algo que enriquece a vida e o ambiente”, complementa.

Sabendo que é impossível fazer justiça a todos os criadores que circulam pela cidade, a Revista selecionou alguns nomes — jovens ou veteranos — que conseguem romper barreiras e se projetar inclusive internacionalmente. Se você tem curiosidade e amor pela arte, receba-os com olhos e coração abertos.

» Quem é: Eraldo Peres
» Atua como: fotógrafo documentarista e fotojornalista; diretor da Photo Agência; membro do coletivo Lente Cultural
» Onde encontrar: photoagencia.com.br

Zuleika de Souza/CB/D.A Press


“Fotografia ainda é considerado o patinho feio das artes.” A frase é de autoria de Eraldo Peres, um dos mais conhecidos fotógrafos da capital. Aos 55 anos, Eraldo já viveu tudo que há para ser vivido no que diz respeito a fotografia: de exposições internacionais a participações em coletivos, como o Lente Cultural. O profissional acredita que o conceito de foto como objeto de arte ainda ensaia seus primeiros passos. “Hoje, ela (a fotografia) tem uma força muito grande nas comunicações e nas redes sociais”, pondera. “Mas acho que, enquanto produto artístico, para colecionadores ou para as pessoas levarem para casa, ainda é algo novo.”

» Quem é: Nina Coimbra
» Atua como: designer e artista plástica. É uma das fundadoras da Dfeito
» Onde encontrar: dfeito.com.br

Zuleika de Souza/CB/D.A Press


Apesar de ter nascido em Brasília, Nina Gomes Coimbra, 31 anos, perambulou muito pelo mundo até voltar à cidade. Filha de diplomata, formou-se em artes plásticas e especializou-se em restauração e conservação de arte em Florença, na Itália. “Minha mãe é artista plástica e meu pai, um amante das artes”, descreve.
O recomeço na capital, contudo, não foi das tarefas mais simples. Mesmo com tanta bagagem, o mercado de arte brasiliense não a recebeu de braços abertos. “Tive muita dificuldade para me inserir aqui como artista plástica, muito por não ter me formado aqui”, analisa. “Era uma ‘panelinha’ que eu não conseguia penetrar.” Ofertas de objetos a serem restaurados também não eram abundantes. O que fazer, então? Como todo artista que se preze, Nina resolveu se reinventar: aproveitou o conhecimento sobre restauração para reformar móveis descartados. A partir daí, Nina abraçou a carreira de designer e deu vazão ao lado autoral.

» Quem é: Taigo Meireles
» Atua como: artista plástico
» Onde encontrar: Pé Palito (Terraço Shopping) taigomeireles.com/web


Zuleika de Souza/CB/D.A Press


Valorizadas, as pinturas do artista de 31 anos ocupam grandes paredes de uma loja antiquário da cidade. Há quem diga que ele é, hoje, o maior nome das artes plásticas de Brasília. O fato é que Taigo cresceu em Ceilândia e é dos poucos da nova geração cuja obra extravasou limites geográficos do quadradinho e do Brasil: suas telas estão nas mãos de jovens colecionadores da Holanda, da Inglaterra, da Itália e dos Estados Unidos. “Hoje, 30% da minha produção vai para fora”, ele calcula.
Taigo começou a desenhar na infância. Aos 16 anos, já expunha sua obra. Estudou artes visuais na Universidade de Brasília (UnB), onde também se formou mestre e doutor. Mas a paixão pelo pincel acabou falando mais alto do que a academia. “Em determinado momento, precisei me dedicar exclusivamente à pintura. E foi saudável”, analisa. Hoje, ele faz entre duas a três exposições por ano e se orgulha ao dizer que pode se dar o luxo de viver exclusivamente do seu trabalho — a venda de suas obras gira algo em torno de R$ 250 mil ao ano. “Eu sei o quanto foi árduo chegar até aqui. Foram mais de 10 anos trabalhando para conquistar o meu espaço, e o que tenho hoje, o valor da minha obra, foi conquistado milímetro a milímetro, com muito estudo e dedicação”, garante.

 
Presente dos 55 anos
Alguns dos jovens talentos brasilienses nas mais diversas áreas, como Nina Coimbra, vão participar do Festival Retrato Brasília, uma celebração em alto estilo do aniversário de Brasília. Serão dois dias de festa, 20 e 21 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), e no Cine Brasília, com exibição de filmes e documentários, intervenções, música, design, arte urbana, etc. O festival leva o mesmo nome do projeto promovido pelo CCBB e pelo Correio Braziliense,
que teve como objetivo mapear a cultura jovem da capital por meio de quatro plataformas de atuação — artes, design, empreendedorismo e cultura urbana. Veja a programação completa
do evento no site www.correiobraziliense.com.br.
 
Onde encontrar
Ficou com vontade de conhecer um pouco mais sobre a arte feita em Brasília? Saiba aonde ir:

Alfinete Galeria
alfinetegaleria.com.br
CLN 116, Bloco B, loja 61
8235-0994

A Casa da Luz Vermelha
acasadaluzvermelha.com
Asbac: Setor de Clubes Sul, Trecho 2, Conjunto 31
3878-9100

Objeto Encontrado - Galeria Café
objetoencontrado.com.br
CLN 102, Bloco B,
Loja 56
3081-8383

Elefante Centro Cultural
elefantecentrocultural.com

W3 Norte, 706 comercial, Bloco B/C, Loja 45
3541-3146 ou 9369-5002

 

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