REPORTAGEM DE CAPA

Caminho de pétalas

São privilegiados os profissionais que tiram o sustento do cultivo, do comércio ou do arranjo de flores. Eles têm o álibi para se cercar de beleza e perfume em tempo integral

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postado em 26/04/2015 08:00 / atualizado em 24/04/2015 18:26

Juliana Contaifer

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

“A flor não passa despercebida. É como escutar uma música que vai te fazer sentir alguma coisa. A flor é isso; ela mexe com a gente de alguma forma. E a magia de trabalhar com ela é ser responsável por passar esse sentimento para as pessoas.” A frase é da florista Elisa Mendes, 29 anos. Viver de flor é viver uma rotina leve. Quase poética. É respeitar o tempo e o processo de crescimento de cada planta. É combinar cores e formas. É pesquisar novidades e se encantar com a natureza todos os dias. A delicadeza é uma marca desse mercado. Por exemplo, quando um colega de trabalho recebe um buquê, é sempre uma festa. A alegria se estende à outra ponta da cadeia produtiva. Quem trabalha com flores renova esse sentimento todos os dias. A Revista conversou com produtores, entregadores e floristas, especialistas em flores reais, desidratadas ou artificiais. E confirmou: entre esses profissionais, é garantido colher sorrisos.
Zuleika de Souza/CB/D.A Press

A nova onda

“As flores são lindas sozinhas. O trabalho do florista é desenvolver uma imagem que se adeque ao ambiente, ao destinatário, à ocasião. Não é simplesmente juntar flores. Gosto de conversar com o cliente, fazer as imagens do produto final. Para mim, só funciona se for um pacote fechado”, explica Elisa Mendes. O trabalho da florista é mais orgânico, respeitando o espaço das flores e dando liberdade ao jeito de crescer de cada uma.

Elisa conta que sempre gostou de mexer com flores mas, desde que se casou, sentiu uma vontade irresistível de enfeitar o lar. Há seis meses, começou a investir e se especializar no que traz tanta felicidade. Fez cursos em Nova York e São Paulo e é consumidora voraz de livros, revistas e sites sobre o tema. “Busco referências do que eu quero passar com as minhas flores”, conta.

Além de buquês de presente e de enfeite para casa, Elisa também faz eventos. Mas só os pequenos, de até 50 pessoas. “Limito porque trabalho sozinha e é um trabalho artesanal. Não quero que meus arranjos pareçam massificados, em série. Faço variações, mas dentro da mesma harmonia, cada uma com movimento próprio. Dessa forma, eu consigo dar atenção aos clientes e o produto fica verdadeiramente personalizado”, conta.

Flor não precisa ser um adorno careta. Os arranjos modernos fogem do convencional “buquê bolinha”. A moda agora é respeitar o espaço de cada flor com uma pegada naturalista. “O interessante hoje é um buquê que pareça que alguém foi ali, na rua, e colheu para você. As pessoas procuram algo mais orgânico, o mais natural possível”, explica Elisa.

A florista e estudante de design Mariana Oliveira, 26 anos, é uma das adeptas do novo estilo. Vizinha de uma floricultura, ela conta que, desde pequena, gostava de visitar a loja e montar os próprios arranjos — não queria nada pronto. “Comecei a pesquisar, descobri coisas lindas e Brasília tinha pouca representação do que eu gosto. Não queria fazer algo tradicional ou fofo, queria buquês requintados e descolados ao mesmo tempo. As combinações que eu via eram sempre muito iguais, sem explorar as cores, os tipos de flores e as texturas. São infinitas as possibilidades”, justifica a florista.

Para ofertar um produto de alto nível, Mariana fez cursos em Nova York e abriu o Ateliê Flô há dois meses. Ela conta que a loja é frequentada por gente de todas as idades, e que as mulheres continuam sendo maioria entre a clientela. “É difícil alguém que não goste de flor, mas os homens ainda ficam muito restritos ao Dia dos Namorados. Receber flores é ótimo, a pessoa se sente querida. Um buquê traz algo de diferente para um dia comum”, garante.

Para espiar as reações, a florista gosta de entregar as flores ela mesma, e ver a surpresa estampada nos olhos de quem recebe. Sempre gostou de presentear e, por isso, investe na confecção de cartões à mão, com o nome do destinatário, para acompanhar as flores. “Acho ótimo encontrar uma flor que eu nunca vi ou pegar folhas diferentes para dar vida a um buquê. Gosto de acompanhar o processo de crescimento das flores. É uma delícia.”

Leia a reportagem completa na edição nº 519 da Revista do Correio.
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