Revista do Correio completa dez anos e conta história de Brasília

Alguns personagens tornaram-se exemplos para outras pessoas e até hoje são lembrados onde quer que estejam

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 17/05/2015 08:00

Juliana Contaifer

Neste domingo, a Revista do Correio completa 10 anos. Durante esta década, a publicação cresceu com Brasília –– acompanhou o amadurecimento da capital, as tendências da vida nas asas do avião e fora delas, a migração dos servidores públicos, o aumento pelo interesse em se alimentar bem e viver melhor ainda. Nas páginas, fala-se de assuntos polêmicos e outros quase cotidianos, sempre com um olhar atento e cuidadoso de quem vê uma história em qualquer esquina.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press


Muitos leitores fizeram parte da história da Revista e tiveram a oportunidade de inspirar outros tantos que passam pela mesma situação. Ao longo dos anos, foi possível acompanhar o desenrolar da vida de vários personagens interessantes da capital. A primeira vez que Nayara Fontenelle e sua mãe, Dulcilene de Souza, apareceram na capa da Revista, a deficiente visual tinha 13 anos, em 2006. A matéria falava sobre a história de superação da família e de como a então pré-adolescente lidava com as dificuldades. “Foi ótimo estar na capa, as meninas na escola quiseram ser minhas amigas e as pessoas passaram a me ajudar mais, prestaram mais atenção em mim”, lembra.

Pouco tempo depois, Nayara apareceu novamente mostrando a rotina de adolescente. Em 2011, ela e a mãe estamparam novamente as páginas da Revista, desta vez, grávida, em uma matéria de Dia das Mães. “Já fomos reconhecidas até em Caldas Novas (GO). Para quem tem filho pequeno, que passa pelos mesmos problemas, é bom se espelhar em exemplos. O jeito feliz de Nayara nas páginas da Revista é uma esperança para as mães”, conta Dulcilene.

Aos 22 anos, Nayara é instrumentista, faz trilhas sonoras para filmes, participa de uma banda, é modelo, atriz e cursa faculdade de nutrição. Mora em uma casinha de dois andares nos fundos da residência de Dulci, onde cuida do filho Henrique, 3 anos. “Para mim, cuidar é ficar junto, dar amor, dar carinho, trabalhar para sustentar. Nayara faz tudo isso.” E a publicação continua parte da rotina da família: todo domingo, Dulci compra o jornal e descreve as fotos e matérias para Nayara. “Ela adora a parte de moda, quer saber como é a modelo, como são as roupas. Traduzir as fotos para ela é uma parte indispensável dos nossos domingos”, afirma.

Ekaterini Sofoulis, 39 anos, é outra leitora assídua das páginas da Revista. Em 2010, Ekaterini, que é cadeirante, estava grávida de gêmeas e participou de uma matéria sobre mulheres que tiveram gestação complicada. Quando a reportagem foi publicada, a servidora pública tinha dado à luz uma semana antes, e as meninas, Manuela e Luiza, estavam internadas na UTI. “A matéria foi um presente. Elas chegaram prematuras, eu nem podia pegar no colo ainda, estavam cheias de restrições. Quando li a reportagem, chorei tanto, fiquei tão emocionada... Foi um acalento. Guardo até hoje a Revista com o maior afeto”, lembra.

Na segunda publicação, a história era sobre como Ekaterini e as filhas superaram os problemas, cresceram bem e como a servidora pública era feliz em ser mãe. “Eu fiquei honrada pela lembrança e por poder falar de como eu estava naquele momento. Foi lindo. Eu tinha acabado de me mudar e todas as pessoas do meu prédio leram e comentavam comigo quando nos encontrávamos”, explica.

Capa marcante

No fim de março, a Revista publicou uma matéria sobre autoestima em pessoas com problemas de pele. A estudante Ananda Martins, que foi queimada com 2 anos em um acidente envolvendo um lampião, estampava a capa. Ela conta que a sensação de aparecer na edição foi estranha, mas boa. A repercussão, muito maior do que esperava.

Zuleika Souza/CB/DA Press


“Muita gente veio comentar comigo, com meus pais. Várias pessoas me abordam na rua para elogiar a matéria. O contato mais interessante foi dos funcionários do setor de queimados do Hran, que quiseram me conhecer. Fui fazer uma visita, conheci toda a equipe responsável e os projetos. Os médicos querem me usar para ajudar nessa área, tanto em pacientes que sofrem com queimaduras como para prevenção. Fico muito feliz em poder ajudar de alguma forma. Se a visibilidade que eu ganhei pode ajudar de alguma forma, já fico muito feliz”, conta Ananda.

Histórias de empreendedorismo também marcaram os 10 anos da Revista. Danilo Vale e Aciole Felix, da Sartto Design, apareceram na capa em setembro de 2014, em uma matéria sobre produtos inspirados em Brasília e com a cara da cidade. O banco Alvorada e a cadeira Athos, por exemplo, fazem menção ao palácio e aos azulejos de Athos Bulcão, respectivamente. “Sair na capa da Revista do Correio foi incrível! Na época, nós ainda estávamos no início da Sartto, tínhamos recebido um convite para expor em Paris, mas anda não éramos conhecidos em Brasília. A matéria foi o primeiro passo para mostrarmos o nosso trabalho ao público brasiliense”, conta Danilo. “E a repercussão não poderia ter sido melhor: tivemos muita procura para compras de nossos móveis. Posteriormente, saímos em inúmeras outras matérias regionais e nacionais. Mas como brasilienses ficamos muito orgulhosos de termos recebido o primeiro reconhecimento de um veículo de tamanha expressão na nossa cidade”, encerra.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.