REPORTAGEM DE CAPA

A arte habita a pele

Expressão ritual milenar, a tatuagem atravessa uma fase de reinvenção, com pretensões estéticas e aceitação social, longe de estigmas. Entenda por que todos querem uma tattoo para chamar de sua

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postado em 24/05/2015 08:00 / atualizado em 21/05/2015 17:04

Ailim Cabral , Renata Rusky /Revista

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
 

 

Uma senhora de 90 anos não é nem de longe o estereótipo de pessoa que apareceria em um estúdio de tatuagem. Foi com essa idade que Dona Pifa, hoje com 98, estampou flores na coxa. O caso dela mostra como o público-alvo da tattoo se expandiu. A tecnologia permite traços superiores aos que se fazia no passado. Os estilos também evoluíram. Desenhos com traços finos, delicados, cores vibrantes e/ou aspecto aquarelado ganham cada vez mais adeptos.

Dona Pifa sempre quis ser tatuada, mas conta que era "manobrada". "Primeiro, meu pai não deixava. Depois, meu marido não deixava. Só deu pra fazer quando me tornei dona do meu próprio nariz", relata. Amanhã, ela completa as flores na perna com um beija-flor e, a partir de então, começará a usar short, para que todos vejam o desenho. No aniversário de 100 anos, pretende fazer uma estrela no ombro, para exibir quando usar blusas de alça. Questionada sobre a dor, Dona Pifa admite: "Tomei um vinhozinho e um uísque antes. Senti como se fosse uma formiga. Aos 90, já me acostumei com dor". Pra ela, a juventude está na cabeça e é importante realizar os desejos, mesmo que isso demore décadas.

As flores de Dona Pifa foram um presente do neto, o gaitista Engels Espíritos. "Quando chegamos ao estúdio, o tatuador pirou. Acho que foi a mulher mais velha que ele já tatuou", conta. Ele calculou que alguns tios e primos poderiam ficar bravos com a surpresa, mas a reação foi positiva. Curiosamente, a atitude da matriarca encorajou vários familiares. Agora, quase todos trazem alguma arte no corpo.

O culto — e o estigma — da tatuagem oscilou ao longo dos tempos. Os motivos sobre a pele já foram usados para distinguir os membros mais valentes de uma sociedade. E também para marcar os indesejáveis e marginalizados. O preconceito enfraquece sempre que a tattoo ressurge como adorno, a meio caminho entre a rebeldia e o fashionismo. Além do aspecto artístico, as pessoas hoje também enxergam a possibilidade de ter uma ligação emocional com o desenho. São mães que eternizam o dia em que deram à luz; namorados que fazem juras de amor.

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Carlos
Carlos - 24 de Maio às 10:05
MAIS UMA PROVA DE QUE AS TATUAGENS NÃO PASSAM DE MODISMO. UM DIA ESTARÃO TODAS FORA DE USO, BREGAS KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
 
Loirinha21
Loirinha21 - 24 de Maio às 21:09
É questão de gosto! Não de ser brega ou não!