ASTRONOMIA

Céu estrelado

Admirada pelos brasilienses como um patrimônio da cidade, a gigante tela azul ganha contornos ainda mais espetaculares durante a noite

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postado em 07/06/2015 08:00 / atualizado em 05/06/2015 15:48

Juliana Contaifer

 

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

 

 

Que o céu de Brasília é espetacular, todos sabemos. A arquitetura, que evita prédios muito altos, e o terreno plano fazem a cidade ser emoldurada por um céu enorme, que quase encosta no chão. Na gigante tela azul, enxergamos as cores do pôr do sol, conhecemos todos os tipos de nuvem. Há quem o queira tombado pelo Iphan. E há quem diga que ele é o verdadeiro ponto turístico de Brasília.

Muito se fala do céu azul diurno, mas, à noite, ele também é especial. Na época de seca, por exemplo, olhar as estrelas no Planalto Central é algo único. O céu limpo e sem nuvens permite avistar o espaço, e o fato de ser possível enxergar o horizonte garante que o nascer e o pôr de cada astro seja acompanhado. Imenso e claro, o céu noturno brasiliense é exemplo quando se pensa em qualidade de observação.

É claro que a belíssima arquitetura ajuda a emoldurar a abóbada cravejada de estrelas, mas é fato que elas ficam cada vez mais difíceis de se enxergar do Plano Piloto. "O ideal é que se escolha um local com menos luzes artificiais, pois elas atrapalham a observação", explica o astrônomo e coordenador do Planetário de Brasília, Airton Lugarinho. "Com o crescimento da cidade, o centro tornou-se mais iluminado e menos propício para enxergar as estrelas. Em bairros mais distantes, a qualidade é melhor. Mas, em geral, é um céu ótimo. Brasília é alta e o horizonte é claro", completa.

Observadores atentos

"Infelizmente, a cidade que eu amo está estragando o céu que eu amo." A frase é do servidor público Maciel Sparrenberger, 41 anos, presidente do Clube de Astronomia de Brasília (CasB). As muitas luzes acabam vazando e prejudicando a observação das estrelas. Segundo Maciel, no Plano Piloto, só é possível enxergar os astros mais brilhantes — planetas e estrelas, por exemplo. Nada de cometas, galáxias e nebulosas. "Ele tem esse brilho amarelo que é um reflexo da iluminação noturna. Quem quer, de fato, ver o céu como ele é, tem que dirigir cerca de 100 quilômetros. Luziânia, Cristalina e Alto Paraíso são alguns dos bons lugares", explica o servidor.

Ele conta que o cerrado, por ser amplo e com árvores baixas, é um convite a olhar para o céu. E Brasília, por ser um cerrado urbano e oferecer sempre um horizonte, convida a olhar para cima. "Além do mais, temos a vantagem da época seca, que garante que o céu estará limpo e as estrelas, visíveis. Por conta desse clima, conseguimos chamar astrofotógrafos do Brasil inteiro para clicar por aqui", afirma. "É muito bonito."

Maciel começou a se interessar por astronomia em 2000, na época dos 500 anos do descobrimento do Brasil. "Li várias reportagens sobre as grandes navegações e fiquei curioso com as técnicas de orientação pelo mar e pelo céu. Passei a pesquisar e tomei gosto. Construí o meu primeiro telescópio naquele ano", lembra. Hoje, já são três.

O clube foi formado em 1986 por um grupo de funcionários públicos empolgados com a passagem do cometa Halley. Falou-se muito de astronomia naquele ano e, animados, os amigos resolveram se juntar para compartilhar o hobby. O principal objetivo do clube é reunir os entusiastas pela astronomia, não profissionais — e, por consequência, divulgar o estudo das estrelas por aí.

O CAsB organiza cursos e observações públicas na Praça dos Três Poderes. Ontem, ocorreu uma edição do projeto e, em 27 de junho, os telescópios do clube e de alguns associados vão ser montados novamente na Esplanada para que a população possa ver de pertinho alguns dos astros que pintam o céu noturno de Brasília. Vale ficar de olho no site do grupo (casb.org.br) para acompanhar a programação. O evento é tão interessante que chegou a receber 3 mil pessoas em uma noite de seca.

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