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Os homens são melhores em matemática que as mulheres?

O neurologista Ricardo Teixeira, colunista da Revista, lembra neste texto da importância da autoconfiança e do poder dos estereótipos

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postado em 07/07/2015 16:14 / atualizado em 07/07/2015 16:24

*Por Ricardo Teixeira

AP Photo/Denis Doyle


Os homens seguem mais as carreiras de engenharia, ciência e tecnologia que as mulheres. Uma das formas de explicar essa diferença é que eles têm mais facilidade em matemática. Entretanto, uma pesquisa recém-publicada por pesquisadores da Universidade Estadual de Washington nos EUA mostra que os homens têm a ilusão de que são melhores em matemática e, por se “acharem”, acabam mesmo tendo um melhor desempenho. Já as mulheres são mais realistas quando julgam seus talentos matemáticos. Nem para mais nem para menos.

O estudo envolveu testes de aritmética, mas também um questionário que abordava uma autocrítica sobre as habilidades matemáticas de cada voluntário. Os homens realmente julgaram ter um melhor desempenho do que os testes mostraram, mas foram melhores que as mulheres. Já entre as mulheres, aquelas que tiveram experiências positivas com a matemática foram aquelas que se julgavam mais talentosas com os números.



Ameaça de estereótipo é um fenômeno em que uma pessoa experimenta insegurança e ansiedade pelo receio de terem um pior desempenho por fazerem parte de um grupo com estereótipo de inferioridade. Estamos falando, por exemplo, da raça negra e gênero feminino.

As pessoas que fazem parte desses grupos têm pior desempenho quando “lembradas” desses estereótipos. Esse é o caso de meninas em testes de matemática quando lembradas que os meninos são melhores em matemática. O mesmo ocorre se as meninas recebem algum “toque” de que meninos são superiores no xadrez. O estereótipo de um campeão de xadrez é o de um homem bem esquisito e não o de uma mulher de salto alto.

Negros também têm pior desempenho em um teste cognitivo quando são avisados que a resolução do problema depende de habilidade intelectual. Negros carregam o estereotipo que são menos inteligentes que os brancos. Pobres também carregam um estigma gigante.



É fundamental a conscientização desse fenômeno por parte de pais e professores. Dar pistas para que se lembre da igualdade entre os gêneros e entre as raças pode mudar essa realidade.

Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor da pós-graduação em divulgação científica e cultural da Unicamp. Escreve às segundas neste espaço. 
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