REPORTAGEM DE CAPA

Sempre alerta

Esmiuçar a ação do sistema imunológico é o desafio enfrentado por cientistas na busca da cura, da prevenção e do tratamento de doenças. Cuidados com a alimentação, novas drogas e o controle das emoções podem ser a chave para proteger o organismo de forma mais efetiva

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postado em 23/08/2015 08:00 / atualizado em 21/08/2015 20:48

Flávia Duarte

Maurenilson Freire/CB/D.A Press
Uma máquina perfeita desenhada pelo autor de cada crença, o corpo humano é um complexo de unidades interligadas e dependentes. Para manter esse organismo vivo, na potencialidade do seu desempenho, uma delas entra em ação todas as vezes que uma ameaça se aproxima. Esse exército de células faz parte do sistema imunológico, o responsável por salvaguardar todos os órgãos e demais sistemas. Ele não age só, porém. É estimulado por comandos cerebrais ativados por nossas emoções. Também responde aos estímulos de glândulas e descargas de hormônios. Um emaranhado de ordens e ativações autônomas que faz com que a reação imune ainda resguarde muitos segredos de sua ação. Desvendá-los é um dos desafios da ciência, que aposta no entendimento do trabalho do sistema imune como um dos caminhos para descobrir doenças, tratá-las, preveni-las e até mesmo curá-las.

Pode-se dizer que, em especial, nas duas últimas décadas, esse minucioso movimento reativo das células começou a ser compreendido por cientistas, imunologistas, psicólogos, psiquiatras e uma série de outros profissionais que acreditam que interferir no comando dessa ação pode ser essencial para manter o organismo cada vez mais blindado às agressões. Assim, uma série de drogas têm sido desenvolvidas com o intuito de fortalecer a imunologia e combater doenças como câncer e até mesmo depressão. Também há inúmeros trabalhos que comprovam como a alimentação e até mesmo os pensamentos positivos podem ser aliados no reforço dessa proteção.

O corpo se defende por conta própria. O tempo todo. Sem você se dar conta, ininterruptamente, as células de defesa são recrutadas para debelar vírus, bactérias, agentes estressores e irritantes que poderiam provocar incômodos e até complicações se não fossem combatidos, resultando em quadros patológicos. Não se percebe que, enquanto você come, anda, dorme, faz exercícios, trabalha, as unidades protetoras estão ativas e em alerta. Algumas vezes, uma dor, uma inflamação, um edema ou uma vermelhidão podem ser o sinal mais perceptível de que esse sistema entrou em ação e está reparando os danos de algum trauma ou de uma presença inadequada.

No entanto, há séculos, a medicina tenta encontrar maneiras de oferecer mais armamentos ao exército natural de proteção. A primeira delas, pode-se dizer, data do século 18. A vacina foi uma forma encontrada para colocar o organismo em contato com vírus e bactérias causadores de doença e, assim, ativar a produção de anticorpos que os reconheceriam caso houvesse um segundo contato com esses antígenos. "Mudou-se a relação do homem com o meio ambiente, prolongando a vida do ser humano por décadas. Hoje, podemos dizer que doenças como a varíola foram erradicadas do planeta, além da redução de difteria e tétano, e do fim da pólio e da rubéola nas Américas", comemora Renato Kfouri, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

A dinâmica é de que, em contato com o antígeno, os leucócitos criam uma memória celular e se tornam aptos a reconhecer a presença daquela proteína em outras ocasiões. Assim, os anticorpos neutralizariam a ação do agressor, impedindo a instalação da doença. Isso explica o fato de quem já teve sarampo ou catapora, por exemplo, nunca mais estar vulnerável a desenvolver o mesmo quadro ao longo da vida.

Descobriu-se, então, que expor o organismo a agentes infecciosos — mortos, enfraquecidos ou em partes — mobiliza a mesma resposta imunológica. A partir de então, o empenho foi produzir proteínas semelhantes à maior quantidade de tipos de vírus e de bactérias possíveis para enganar o sistema imune, obrigando a fabricação de anticorpos, que deixam o organismo mais protegido. "A necessidade crescente de produzir vacinas em larga escala e as novas tecnologias trazem mais opções de imunizações. Além disso, a engenharia genética, técnicas de produção quiméricas, recombinantes, aumentam a velocidade da produção e a segurança da vacinas", explica Renato.

Se antes usavam-se bactérias inteiras para estimular a resposta imunológica do organismo — como no caso da vacina de coqueluche —, hoje, com as inovações, é preciso apenas selecionar partes do antígeno para injetar no ser humano, um avanço que reduz o risco dos efeitos colaterais, por exemplo. "A quantidade de antígeno utilizado diminuiu drasticamente. Hoje, só se utiliza uma parte para ter uma resposta imune", acrescenta o médico.

Nesse caminho de avanços e descobertas, contabilizam-se hoje mais de 20 doenças imunopreveníveis. Entre as vacinas recomendadas e disponíveis, cerca de 15 são aplicada na primeira infância; de sete a oito na fase adulta; e de quatro a cinco em idosos. Para certos males, o ideal é imunizar as crianças, que são o grupo mais vulnerável por causa da fragilidade do sistema imunológico e as pessoas com mais de 60 anos, que não escapam à denominada imunosenescência, que nada mais é que o envelhecimento e comprometimento do desempenho desse sistema com o passar do tempo.

Nesse caminho de descobertas e conquistas para manter o corpo saudável e capaz de combater doenças, um dos grandes desafios é criar anticorpos para destruir vírus e bactérias que apresentam mutações e subtipos muito diferentes. A variedade de apresentação do antígeno dificulta a criação de uma vacina eficiente para combater qualquer um dos possíveis causadores da mesma doença. É o caso do vírus do HPV, que se apresenta de inúmeras formas e cuja vacina já protege contra mais de 70% dos tipos de agentes que causam o câncer de colo uterino. No entanto, o futuro é promissor. "Há perspectivas para imunização de muitas outras doenças, como hepatite C, malária, aids e ebola. A da dengue, por exemplo, está para ser aprovada no Brasil em breve. A grande dificuldade nesses casos é que você precisa encontrar as variantes desses antígenos. São mais de 100 subtipos, muitos desses vírus têm mutações e é preciso encontrar vacinas que contemplem todas essas variações", explica Carlos Kfouri.

Leia a reportagem completa na edição nº 536 da Revista do Correio.
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ednilson
ednilson - 23 de Agosto às 10:23
Muito famoso na internet o relato de uma ex-portadora de Lupus, que se curou trocando os medicamentos de laboratório por vegetais, adotando dieta sem glúten e etc., fazendo atividade física... Uma prima, de Taguatinga, sofria dores lancinantes, sob diagnóstico de artrite reumatóide, artrose e etc. Daí, fez contato com a ex-portadora do Lúpus, adotou a mesma dieta, e está 100% sem problemas..