MODA

Novos talentos da capital

A Revista mostra com exclusividade as quatro marcas vencedoras do concurso Novos Talentos do Capital Fashion Week. Os desfiles vão ocorrer em setembro

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postado em 26/08/2015 15:00 / atualizado em 26/08/2015 18:53

Renata Rusky /Revista

Na 17ª edição do Capital Fashion Week (CFW), o evento completa a marca de 50 desfiles de estilistas selecionados no tradicional concurso Novos Talentos. Para isso, este ano, em vez de três, foram escolhidas quatro pessoas para receber consultoria e, finalmente, colocar as coleções na passarela em setembro. Embora sem a intenção, a curadoria do concurso foi eclética, com a seleção de uma marca de moda masculina, duas femininas e uma infantil.

A Revista mostra um pouco de cada uma e quem está por trás delas. Uma coisa é certa: com menos de dois meses para preparar tudo, a ansiedade e o nervosismo estão tomando conta desses novos talentos.

 

 

 

Minhocco

A marca infantil é a mais estruturada das quatro vencedoras, com seis cabeças pensando para que seja a melhor possível. O grande idealizador da marca, Mario Kertesz, convidou a gerente de Produção Julia Biato para o projeto há pouco mais de um ano, em fevereiro de 2014. Aos poucos, eles chamaram Isadora Tupinambá como designer gráfica, Isabel Borba como ilustradora, Ilca Lemos para a área comercial e Renata Coutinho como secretária. "Cada um faz sua parte, mas tudo é pensado junto para que a empresa esteja alinhada com o conceito dela", deixa claro Julia. A ideia é ser um time e não uma marca com um estilista encabeçando as coleções.

Depois de observar o mercado de roupas infantis, Mario e Julia notaram a carência de peças educativas, lúdicas e com estética brasileira. A coleção atual é focada na fauna brasileira, portanto, aproveita-se para ensinar meninas e meninos sobre animais em extinção, entre outras coisas. "A maioria das crianças não sabem a diferença entre um quati e uma cotia, mas todos conhecem Frozen e sabem quem é Ana e quem é Elsa", exemplifica Julia.

 

Lucianna Carvalho

Funcionária pública formada em direito, Lucianna nunca se sentiu realizada com o trabalho burocrático com que estava envolvida. "Eu sempre gostei de arte, de desenhar, admirava como minha mãe costurava bem", exemplifica. Em 2008, ela decidiu parar de reclamar e agir. Entrou no curso de moda. Formada na metade do ano passado, o trabalho final de curso foi escolhido para ser apresentrado em um evento de moda no ParkShopping. "Eu fiz uma alfaitaria desconstruída, as estampas eram minhas. Não eram peças usáveis", descreve.

Para Lucianna, moda é arte, portanto, ela sempre tentou criar peças bem conceituais. O desafio ao entrar no concurso Novos Talentos do CFW foi fazer roupa um pouco mais comercial. Todas as estampas dos croquis foram feitas por ela mesma, no entanto, não teve tempo de mandar confeccioná-las. Agora, Lucianna precisa trabalhar o meio-termo entre conceito e comércio.

 

Larsan

Daniel Lara, 29, estilista da Larsan, é pai de quatro — um ainda na barriga da mulher —, publicitário, e estudante de moda. De vida frenética, portanto, ele entende. Tanto que levou a correria da cidade para a primeira coleção oficial de sua marca, a Larsan. A coleção, intitulada de Concreto Suave, as peças são cinza com estampas inspiradas no concretismo e em obras de Waldemar Cordeiro, figura central da arte brasileira do século 20. Com estampas próprias, ele define: "Os desenhos são pontos e retas. As linhas são os carros em alta velocidade, os pontos, as janelas que se repetem. Tudo isso sobre o cinza do concreto".

O interesse por moda veio de um período de dois anos em que deixou a publicidade de lado e se dedicou a trabalhar na confecção da família da mulher. Apaixonou-se. Por questões financeiras, voltou para a antiga profissão, onde se reencontrou, mas resolveu estudar moda a partir do zero e lentamente. Daniel admira o trabalho clássico do alfaiate e valoriza intervenções de design nas peças.

Gabriela Palazzo

Gabriela Maniero, 22 anos, estudante de moda, é criadora da Gabriela Palazzo. Ela submeteu ao concurso três peças femininas — duas em jeans e uma transparência. A jovem considera a mistura de tecidos a identidade da sua marca. O diferencial da coleção batizada como Miscelânea, idealizada para concorrer ao Novos Talentos do CFW, foi a mistura do jeans — material mais grosso com o qual nunca tinha trabalhado — com um tecido bem mais fino. "Foi complicado porque eu mesma tive de descolorir para chegar à cor ideal. São diferentes gramaturas, e até a costureira reclamou porque quebraram muitas agulhas", conta. Até então, ela costumava trabalhar com tecidos como renda, seda, linho, guipure, todos facilmente usados de forma bem feminina.

Avessa às tendências de moda, Gabriela não tem referências criativas específicas, pois acredita que tudo ao redor a inspira. "Eu gosto de pegar fragmentos de estilistas completamente diferentes e unir de alguma forma", conta. Ela reconhece que ainda está se descobrindo no mundo da criação de moda e encara o desfile como um sinal de que está no caminho certo.

 

 

 

 

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