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Voar com os pés no chão

A Revista conta histórias inspiradoras de pessoas que começaram a praticar a corrida e tiveram as vidas transformadas por esse esporte

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postado em 20/09/2015 08:00 / atualizado em 18/09/2015 15:40

Juliana Contaifer

Edílson Rodrigues/CB/D.A Press


Dizem que correr é vício. O vento no rosto, as pernas cansadas, a música que dita o ritmo ou a respiração pesada são apenas detalhes. Correr é batalhar contra a própria cabeça. É dizer aos músculos exaustos que é possível terminar o percurso. É aprender que a satisfação e a alegria de alcançar a linha de chegada é muito maior do que o sofrimento do caminho. "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito." A frase de Martin Luther King parece definir exatamente o que se passa na cabeça dos corredores, profissionais ou amadores.

Correr é pensar na vida, nos problemas, nas motivações. Organiza a cabeça, fortalece as decisões, ressalta o que é realmente importante. Logo, a caminhada curta não é suficiente. Crescem os percursos, aumentam as velocidades. A volta na quadra vira corrida de cinco quilômetros, de 10, 16, os 21 de uma meia maratona, os penosos 42 de uma maratona. E se não é suficiente, viram ultramaratonas, percursos de vários quilômetros divididos por vários dias seguidos.

E todas essas sensações motivam os apaixonados por corridas a levantar da cama antes do sol e gastar as solas dos tênis faça chuva, faça sol. É um esporte democrático, que não divide os praticantes por classe social. Quem tem dinheiro e melhor equipamento não sai na frente de quem gasta pouco mas tem disciplina para treinar todos os dias. Não depende do clima, de um aparelho, de companhia, de um horário, de um aprendizado longo. Não divide os magros dos gordinhos, os homens das mulheres, os jovens dos velhos. Na hora da corrida, estão todos lado a lado.

Contamos, hoje, histórias de quem teve a vida transformada pelas passadas da corrida. Dos que convenceram os familiares a praticar o esporte, dos que trocaram as amizades, as baladas e os bares pelas corridas matinais, as competições aos domingos. Que guardam dinheiro para competir em outras cidades, outros países, com gente que não fala a mesma língua, mas carrega no coração e nos tênis a mesma paixão pelo esporte.

Falamos de Cláudio, que perdeu quase 60kg com a corrida, aprendeu a lidar com a própria cabeça e hoje tem a companhia do filho nas competições. De Márcia, que, asmática, teve dificuldades para começar, mas, agora, apaixonada, participou até de duas ultramaratonas. De Waldir, que apesar de um joelho que o obriga a mancar, já fez mais de 900 provas e se recusa a parar. De Luciclélia, que começou a correr para emagrecer e se descobriu no esporte. De Marílson, menino de Ceilândia que encontrou na atividade uma chance de estudar e hoje é conhecido no mundo inteiro. Aproveite o domingo, calce os tênis e saia correndo.

 

Leia a reportagem completa na edição nº 540 da Revista do Correio. 

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