COMPORTAMENTO

O decoro e o decote nos gabinetes de Brasília

Servidores e especialistas opinam sobre o dress code formal e informal observado nos prédios públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário

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postado em 20/09/2015 08:00 / atualizado em 18/09/2015 18:11

Camila Costa

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Decotes, roupas transparentes, vestidos apertados e minissaias de um lado. Do outro, camisas de times, bermudas, blusas para fora da calça, gravata torta e até chapéu. Os itens descritos parecem informais, no entanto, compõem o vestuário do centro do poder local da capital da República. Se, no Congresso Nacional, a tentativa é de formalizar cada vez mais o guarda-roupa; no Distrito Federal (DF), a realidade é bem diferente. Entrar de bermuda na Câmara Legislativa do DF, por exemplo, que era uma das únicas restrições, agora é permitido. A medida foi revogada pela presidência da Casa. Se não há regras para quem visita, muito menos para quem trabalha. De deputados, secretários a servidores, o dress code que prevalece é o do bom-senso.

No início do mês, as atenções e os olhos se voltaram para os decotes das mulheres na Câmara dos Deputados. Brasil, clima quente, época de seca em Brasília, ou seja, cenário propício para pouca roupa. Incomodada, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) apresentou a proposta de criar um código de vestimenta na Casa. Pelo projeto, seria vetado o uso de saias acima do joelho ou decotes acentuados. Camisas de clubes de futebol e chapéus também seriam proibidos. "Acho isso uma política de aparências. Hipócrita. Quer usar saia curta, usa. Cada um sabe o ambiente em que trabalha. Aqui, não podia entrar de bermuda, mas eu mandei revogar", rebateu a presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PDT).

Formalidade não é o forte da distrital. No dia a dia, ela adota a dupla calça jeans e tênis. Às vezes, botas de cano curto compõem o look. O despojamento da presidente da Casa contrasta com a produção de alguns colegas. Agaciel Maia (PTC), por exemplo, é conhecido pelos ternos bem cortados. Na última semana, desfilou de Ricardo Almeida, grife na qual um conjunto de blazer e calça não sai por menos de R$ 2.800. "Roupa é aquela que a pessoa se sente bem", justificou Agaciel, destacando que as peças mais caras foram presentes.

Muitos servidores da Câmara criticam a "falta de noção" nos trajes. "Aqui, as mulheres exageram. Parecem umas periguetes. E os homens vêm de camisa do Flamengo, do Vasco", ironiza um funcionário. "Na CPI dos Transportes, é um desfile de saia curta e decote", outro diz à reportagem. As amigas e servidoras Mari Assis Alves, 39 anos, Natália Lagreca, 31, e Monique Taborda, 28, têm uma opinião bastante crítica sobre o assunto. "Acho inaceitável tomara que caia, por exemplo. Fica puxando o tempo todo. Assim como as saias muito curtas", comenta Mari, provocando Monique, que responde: "Mas eu sempre ponho um blazer e não fica ruim".

Segundo Natália, seja homem, seja mulher, é importante prestar atenção nas opções que existem no armário. "Tem gente que vem de tudo quanto é jeito. Impor um traje não é discriminação. Advogado tem roupa específica. Precisamos ter regras, porque senão as pessoas fazem o que querem", pondera a servidora. Durante a visita da reportagem, uma funcionária e um deputado chamavam atenção. A moça, pelo vestido azul curto, que valorizava o corpo, e o parlamentar, o distrital Julio César (PRB), pelo desprendimento. Ele estava no plenário antes mesmo de a sessão começar, mas ainda não estava pronto. Terminou de colocar a camisa e a gravata na frente dos colegas. No gabinete do parlamentar, que é da bancada evangélica, não há qualquer restrição de vestimenta, informou a assessoria dele.

 

Leia a reportagem completa na edição nº 540 da Revista do Correio.

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