Divando nas alturas

O stiletto é uma coreografia com apelo sensual e alta exigência física. O acessório indispensável são saltos altos

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postado em 25/10/2015 18:06 / atualizado em 25/10/2015 18:19

Flávia Duarte

Antônio Cunha/CB/D.A Press
O professor entra na sala. Seu 1,78m, corpo esguio e magro intimidam. Mais boquiaberta ainda fica a mulherada quando o dançarino de 28 anos, Roberto Schiavinato, calça um salto de quase 10cm. Ele joga a franja para um lado. Levanta a sobrancelha. Faz carão. Solta um sorriso perfeito e começa a caminhar. O controle dos movimentos do corpo, a suavidade com que move pernas e mãos não condiz com a brutalidade e a dureza de postura muitas vezes associada aos homens. Bob, como é chamado pelas alunas, é uma diva no termo mais objetivo da palavra. E não tem qualquer relação com feminino ou masculino. Tem a ver somente com a postura. Diante de uma turma de mulheres, esse é um dos objetivos dele: fazer com que todas tenham domínio do corpo, dos gestos e das feições. Tudo isso, ao ritmo intenso, em uma dança que ganhou o nome de stiletto.

A modalidade seria uma mistura de jazz com balé. Exige postura, equilíbrio e sensualidade. “Você trabalha o eu interior, a feminilidade. Você precisa se sentir à vontade para se mostrar, ter respeito por si própria”, define Ila Delahis, 38 anos, que há mais de um ano e meio descobriu a dança no salto e se apaixonou. “Você se sente mais dona de si”, diz a moça, que sempre amou Madonna e, na adolescência, dançava com o entusiasmo as músicas da cantora. Até descobrir que os gestos frenéticos que fazia com mãos e pernas para acompanhar a americana seria algo parecido com o chamado stiletto.



A dança une ritmo e perfomance. Para aguentar tanto mexe, remexe de tronco e quadris é feito um alongamento. Pernas, costas e panturilhas são trabalhados. Abre e fecha de braços e de membros inferiores. É preciso esquentar a musculatura. O stiletto tonifica pernas, panturrilhas. Trabalha o quadril e ainda dizem que afina a cintura. Como é feito com saltos, os movimentos repetitivos podem lesionar joelhos ou coluna. Por isso, o professor Bob sugere que as alunas mantenham uma rotina de malhação.

Depois do estica e puxa, as aprendizes são convidadas a desfilar em cima de um sapato de, no máximo, 10cm. Ideal que seja preso ao peito do pé, para manter a estabilidade dos passos. “O salto deixa o ritmo mais atraente e poderoso”, diz Bob. É praticamente uma aula de passarela. Na hora do chamado high heels, aprende-se a manter a postura. Passos cruzados, caminhar elegante. Nada de pernas abertas ou andar desleixado. É preciso seguir com a leveza de um flamingo. Diante do próprio reflexo, é hora de fazer carão. Nada forçado, apenas uma aula de autoconhecimento, para identificar as feições que lhe caem bem. Bob, que também é professor de expressão facial, diz que o olhar, o sorriso, a maneira de levantar a sobrancelha são aprendidos com treino. Ele próprio conta que conquistou seu belo sorriso depois de muito se exercitar diante do espelho. É questão de se ver e entender quais os movimentos te deixam mais sexy. O professor sugere, nas entrelinhas, que cada uma crie um personagem e se aproprie dele naqueles 60 minutos de dança. Se quiser levar o personagem para casa, esteja à vontade.

Agradecimentos: Studio de Dança By CIA

Leia a reportagem completa na edição nº545 da Revista do Correio.
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