ARTESANIA

Fabulações em papel

No quinto episódio da série de reportagens, um mergulho no universo colorido do quilling

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postado em 06/11/2015 08:00 / atualizado em 27/11/2015 18:52

Fabulações em papel

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Andanças de Zuleika (fotos) e Gustavo (texto) em busca da beleza feita à mão

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Zila Siquet, que é cantora, descansa a voz dando tarefa às mãos. Experimentou ao longo dos anos diversas manualidades, como a pirogravura em madeira, mas encontrou o tom nas filigranas de papel, o chamado quilling. Ao toque delicado, as tirinhas se contraem em volutas coloridas que, quando menos se espera, revelam padrões. Seriam mandalas, mas Zila prefere dotá-las de função prática. "Eu gosto muito da arte quando ela também tem utilidade", diz. Assim, nascem espelhos, porta-chaves, descansos de copo etc.

O quilling é ornamento desde sua origem. A versão mais aceita é que tenha desabrochado em conventos franceses e italianos no século 16. Seria usado para decorar relicários e objetos litúrgicos em igrejas menos abastadas. Os papéis eram pintados de modo a imitar perfeitamente fios de ouro ou lâminas de prata. Mais tarde, a técnica foi usada para adornar caixas de chá, molduras de quadros e miudezas em geral. O uso contemporâneo é fruto do movimento "faça você mesmo", popularizado em tutoriais da internet.

Com Zila, não foi muito diferente: o interesse brotou em 2005, ao folhear uma revista sobre artesanato e decoração. "Pensei, primeiro, em brincar com a coisa da renda: transformar o papel em renda. Por que não?" Aos poucos, a artesã foi enxergando um notável paralelo entre os caracóis e as formas do inconsciente. "Tenho uma relação meio maluca com o mundo onírico." É como se a arte fosse uma espécie de contrabando lúdico entre a imaginação e a vigília.

Há 6 anos, Zila finalmente deu voz à fantasia e abriu o próprio ateliê, batizado de Castelo de Chita. Esse lindo nome lhe foi dado de presente num sonho, no qual vagava pelas ruas de Sobradinho, cidade onde nasceu. A narrativa era mais ou menos assim: no caminho para a casa da mãe, Zila desmaiava e era socorrida por uma senhorinha muito frágil, que, de fato, morava na vizinhança. Subitamente, o dia virou noite escura. As duas passaram em frente a uma obra, que, em vez de tapumes, ostentava cortes de chita. A idosa se virou e disse: "Minha filha, esse lugar ainda vai ficar muito bonito".

Uma prova de que os sonhos podem ser habitados veio em setembro passado. Zila idealizou o cenário de uma peça de teatro: Nos en(tre)cantos de Dulcineia del Toboso, da atriz Karla Calasans. Para o deleite dos sentidos, quase tudo em cena era puro quilling.

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Zila Siquet, 45 anos

Tipologia

Quilling

Localização

SCLN 410, Bloco B, Loja 37

(Castelo de Chita)

Contato

(61) 9614-1981

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No quinto episódio da série de reportagens, um mergulho no universo colorido do quilling
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