REPORTAGEM DE CAPA

Folia organizada

Por trás da grande festa, estão grandes cabeças: saiba quem dá o samba e o suor em nome do carnaval brasiliense

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postado em 31/01/2016 08:00 / atualizado em 29/01/2016 21:39

Os foliões não podem reclamar de falta de opção no reinado de Momo. No ano passado, mais de 1 milhão de brasilenses foram às ruas. A estimativa está mantida para este ano, de acordo com o GDF. Estão confirmados cerca de 80 eventos carnavalescos. Por trás de toda essa movimentação, estão pessoas que gostam da cidade, de vê-la movimentada, com gente na rua, cheia de música. A troco apenas da alegria dos foliões, eles se esforçam na organização dos blocos que animam o feriado.

As dificuldades da preparação são muitas: conciliar o “trampo” com o emprego; divulgar o evento; lidar com a burocracia imposta pela administração pública (para garantir o mínimo de estrutura e segurança); negociar com os que querem silêncio; escolher o repertório; ensaiar as músicas etc. Apesar de tudo isso, eles continuam. Por que insistem nessa festa destinada a virar cinzas? Pela farra, por Brasília. Em nome da felicidade geral da nação!


Começo com o pé direito

O bloco que desde 2010 abre o carnaval em Brasília é o Virgens da Asa Norte. A equipe da organização é representativa da população da capital federal: Henrique Aragão, empresário, é paulista, e os pais são de Olinda; Wagner Lucena, biólogo, é do Recife e sentia saudade do carnaval da terra natal; Angélica Fornazier é de Florianópolis, morou em Brasília por um longo período, ficou fora do país por sete anos e voltou para a capital; Daniela Gonçalves, produtora cultural, morou por um tempo em por aqui, mas, atualmente, só vem à cidade para organizar eventos, como é o caso do Virgens da Asa Norte. O bloco reflete um pouco da personalidade de cada um deles.

Fora do Brasil, Angélica sentia falta do carnaval. Depois de seis anos sem festejá-lo, decidiu entreter-se em um show da banda sueca Abba, nas Ilhas Canárias. “Foi horrível. Quis chorar com aquelas músicas”, conta rindo. Assim que voltou da temporada na Europa, Angélica notou a mudança do carnaval na cidade. “O espírito da cidade era de ir embora. A cidade ficava para quem não gostava de festa. Mas me surpreendi quando voltei: as pessoas estavam ficando”, relata.

Este é o quarto ano consecutivo em que Angélica não troca o carnaval brasiliense por nenhum outro. “É ótimo. Saio de táxi, bebo, volto pra minha casa, abro a minha geladeira, durmo na minha cama. Se quiser levar alguém junto, é tranquilo”, enumera. Ela não gosta de ficar limitada ao Plano Piloto. Interessa-se por carnavais de todo o DF. O Virgens assume essa pretensão: atrair gente de todas as regiões administrativas.

Henrique diz respirar carnaval. Os pais dele se conheceram em um bloco, o que torna a época ainda mais especial. Ao longo da vida, só em duas ocasiões não pulou a festa. Antigamente, “se mudava” para Olinda durante o mês inteiro de fevereiro. Hoje, ele primeiro prestigia o próprio bloco, que é, na verdade, um pré-carnaval, antes de fazer as malas.

Como a maioria dos blocos alternativos atuais, o Virgens da Asa Norte começou bem pequeno e cresceu com o tempo. Até conseguir o know-how, Wagner conta que colaborou com o Suvaco da Asa. Ele faz questão de ressaltar a parte da consciência cidadã da equipe. “Nós sempre dizemos que a melhor festa é a que, no dia seguinte, nem parece que aconteceu ali”, diz, referindo-se à limpeza do espaço público.

A responsabilidade social dos organizadores dos novos blocos de carnaval tem sido latente. Embora “profano”, o evento, na verdade, exige total cuidado. No Virgens da Asa Norte deste ano, houve um problema com o Serviço de Limpeza Urbana da cidade. Resultado: os organizadores arregaçaram as mangas para deixar o local perfeitamente em ordem.



Programe-se

Hoje
* Bloco livre, na Funarte
* Falta pouco, na Praça dos Prazeres
* Cafuçu do Cerrado, na SBN quadra 2

2/2
* Rejunta meu Bulcão, na Praça dos Prazeres, 201 Norte

6/2
* Babydoll de Nylon, na Praça do Cruzeiro
* Bloco Agô, na Torre de TV
* Carnapati, bloco infantil, na 201 Norte

7/2
* Agoniza, mas não morre, na 209/210 Sul
* Bloco do Bem Meb, na Torre de TV
* Confronto Sound System, na Praça do Trabalhador
* Tesourinha, na 410 Norte

8/2
* Concentra mas não sai, na 408/409 Norte
* Aparelhinho e Acabou o Gás, no Setor Bancário Sul
* Bloco das Divinas Tetas, no Setor Bancário Sul

9/2
* Calango Careta, na 408 Norte
* Essa boquinha eu já beijei, na 408 Norte

15/2
* Bicibloco, 115 Norte

Leia a reportagem completa na edição nº 559 da Revista do Correio.
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