Entrevista

Doce lição

A blogueira e YouTuber Danielle Noce lança o segundo livro de receitas. Ela ainda fala de moda, viagens e do projeto de ensinar outras pessoas a terem sucesso na rede como ela

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postado em 06/03/2016 08:00 / atualizado em 03/03/2016 14:29

 

A história de Danielle Noce, 31 anos, começa com a paixão pela gastronomia, especificamente pela arte da confeitaria. Hoje, ela ensina a milhares de pessoas a cozinhar por meio de blogs e de um canal no YouTube que já comemora quatro anos. Pós-graduada em confeitaria e panificação pela École Lenôtre, em Paris, a moça tem pelo menos 800 mil inscritos no canal que mantém na internet.

 

A confeiteira nascida em Brasília, atualmente, mora em São Paulo, mas deu o ar da graça na capital para lançar o segundo livro de sua carreira sobre o tema. A receita da felicidade intercala as receitas preferidas da moça com textos de moda, maquiagem, lifestyle e viagens, ou seja, tudo que faz parte do mundo da Dani — como seus leitores e fãs a chamam. As fotos, extremamente delicadas, foram feitas pelo marido, Paulo Cuenca, e ilustram toda a publicação.

 

Em entrevista, Dani Noce fala sobre o livro, planos e a profissão do futuro: a de YouTuber. Ela e o marido estão prestes a abrir uma nova empresa voltada para cuidar dos YouTubers. Segundo ela, a ideia é pioneira e ninguém oferece esse serviço no Brasil atualmente. "O crescimento tem sido rápido demais e a gente percebeu que falta um agenciamento de carreira pesado", avalia.

 

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
 

 

O YouTube é uma plataforma que tem crescido muito. Você percebe uma mudança de comportamento?

 

Com certeza, é um fenômeno. Pessoas que nem a Kéfera (outra YouTuber brasileira), por exemplo, são conhecidas pelo Brasil inteiro. Vários YouTubers têm mais visualizações do que a tevê aberta e a maior parte do YouTube supera a tevê a cabo fácil. Eu tenho dez vezes mais visualizações do que uma TV a cabo. O programa de maior audiência de um determinado canal da televisão por assinatura tem 86 mil visualizações, eu tenho muito mais do que isso.

 

Sempre foi assim ou esse crescimento é recente?

 

É um crescimento absurdo que está acontecendo de dois anos pra cá. As pessoas realmente querem escolher o que elas vão ver. Eu não assisto mais à televisão, nem a cabo nem a aberta. Assisto ao YouTube, séries e filmes por meio de uma assinatura on-line. Escolho o horário em que vou a assistir a um programa e aquele momento é meu. É uma conexão muito mais forte, ela escolheu passar os próximos 10 a 15 minutos com você. Até mais em alguns casos. Alguns YouTubers fazem vídeos de 40 minutos e nem por isso perdem visualizações. É uma relação que a gente não tem com a tevê mais.

 

Qual o diferencial do A receita da felicidade em comparação com o anterior, Por uma vida mais doce?

 

Esse é bem diferente. No primeiro livro, há apenas receitas, 170 ao todo. É um livro supertécnico. A receita da felicidade é mais interativo, voltado para um público mais jovem. Tem mais a ver com o momento que estou vivendo, que é misturar um pouco de gastronomia, lifestyle e moda.

 

Como funciona essa interatividade do livro?

 

Em cada parte do livro, você vai ver que conto uma historinha. No começo, por exemplo, tem duas seções em que falo sobre mim. Em "Eu sou…" e "Eu já…" me descrevo e conto um pouco de coisas que já fiz. Em seguida, peço ao leitor que me conte quem ele é. Ainda tem o momento selfie, que é muito interessante. No evento de lançamento em Belo Horizonte, por exemplo, várias pessoas levaram máquina e tiraram polaroides para colar no livro.

 

De onde veio a ideia de fazer um livro interativo?

 

Existem vários livros nesse estilo, principalmente lá fora. A ideia foi basicamente fazer com que fosse também um livro interessante para que as pessoas possam colocar suas coisas ali e transformá-lo em um diário.

 

Como selecionou as receitas para compor A receita da felicidade?

 

Coloquei nele as que eu gosto mais, as mais interessantes e juntamos com algumas outras coisas que queria falar. Acho que foi por afinidade mesmo.

 

Você tem dois programas de tevê, dois livros, uma linha de esmaltes, uma linha de topos decorativos para bolos, o canal do YouTube e dois sites. Como você concilia todas as atividades?

 

Eu não sei. É realmente muita coisa (risos). Eu e meu marido fomos os primeiros YouTubers a delegar funções. Temos pessoas na pré-produção, no comercial, na edição e no financeiro. Alguns canais muito maiores do que o nosso estão começando a fazer agora o que nós fazemos há três anos. Porém, muitas coisas só a gente consegue fazer. Se pudesse, teria mais 10 pessoas ajudando. Tem trabalho suficiente. Quero fazer outro livro grande de receitas e ele só não saiu ainda por falta de tempo. Gosto de fazer tudo.

 

Alguma dessas atividades te dá mais prazer?

 

No momento é viajar e conhecer coisas diferentes, comidas, pessoas. Gosto muito de estar em contato com o novo. Acho que isso foi uma das coisas que o YouTube me trouxe de melhor. Também adoro ficar em casa cozinhando e passando tempo com meus cachorros. Gosto de balancear bem, uma semana fora e uma semana em casa.

 

Qual a sensação de estar de volta a Brasília?

 

É bem gostoso. Faz bastante tempo que eu não ia à casa da minha mãe, por exemplo, porque a gente (ela e o marido, Paulo) trabalha muito. Foi bem gostoso reencontrar todo mundo.

 

Qual é a sua melhor lembrança da capital?

 

O céu daqui é maravilhoso, é inigualável. Já morei em Florianópolis, Paris, Londres, São Paulo e Florença e em nenhum lugar vi um céu tão lindo. Ninguém ganha.

 

Quais são seus projetos para o futuro?

 

Sobreviver ao tour de lançamento do livro é o primeiro deles (risos). São várias coisas, na verdade. Quero fazer mais vídeos de lifestyle no canal do YouTube, mais vídeos de viagens, resgatar receitas do Brasil e conhecer lugares mais distantes do nosso país.

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