Fitness E Nutrição

Pilates documentado

Criador do método com milhões de praticantes em todo o mundo tem história retratada em documentário

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postado em 20/03/2016 08:00 / atualizado em 18/03/2016 16:18

Maio será um mês duplamente importante para os fãs do pilates. Vem ao Brasil a instrutora Lolita San Miguel, 81 anos, e será lançado o primeiro filme, um curta-metragem, sobre a vida do criador da modalidade, Joseph Pilates. Lolita é a última pessoa a ter ligação direta com ele, o certificado dela veio das mãos de Carola Trier, primeira pessoa treinada diretamente pelo criador da prática. À época, ele batizou o método de contrologia, equilíbrio e controle do corpo e da mente.

Os workshops que Lolita dará em São Paulo estão com as turmas esgotadas, mas ela vem a Brasília para o lançamento do curta no estúdio da instrutora de pilates brasiliense Gláucia Adriana, em 19 de maio. O filme é apenas uma prévia de um longa-metragem sobre a vida de Joseph Pilates que será lançado em outubro. Lolita e a brasiliense se conheceram nos diversos cursos que Gláucia fez em Nova York e na Califórnia. "Queremos resgatar a história, que se conheça Joseph para que se leve mais a sério a prática", explica.

Assim que se formou em fisioterapia, ela saiu do Brasil a fim de conhecer diferentes escolas de pilates. Foram quatro anos e meio de formação e também de experiência profissional até voltar ao país e abrir o próprio estúdio. Segundo ela, a modalidade é tratada com mais seriedade nos Estados Unidos devido ao fato de, lá, ela ser mais tradicional, praticada desde 1930. Por aqui, o pilates chegou há cerca de 25 anos.

Até hoje, Gláucia mantém um pé aqui e outro lá, dando cursos e se aperfeiçoando. A produção do longa-metragem sobre Joseph Pilates fez com que as viagens fossem ainda mais frequentes. "Depois de conversar com dois biógrafos, ainda tive que ir fazer minhas próprias pesquisas", conta.

Filipe Miranda/Divulgação

Saúde para todos

Pilates era um alemão de família pobre que emigrou para os Estados Unidos depois da 1ª Guerra Mundial. Segundo a produtora do longa, acostumado a perder muitas pessoas queridas por doenças simples — já que a medicina era pouco avançada — queria levar saúde às pessoas, mas não tinha nenhum estudo formal.

Durante a guerra, ele trabalhou por cinco anos em uma unidade de saúde, onde ficou responsável por desenvolver atividades físicas a fim de reabilitar feridos. Lá, ele também aprendeu marcenaria. Passou a desenhar equipamentos. Foi só depois da guerra, já nos Estados Unidos, que ele decidiu construir as peças e pedir patente daquilo que havia colocado no papel. Fez cada uma a mão, com coisas que conseguia no lixo: produtos de equitação, principalmente de couro, e também usava metal e madeira.

Um dos grandes feitos de Joseph foi a reabilitação de uma dançarina submetida a uma cirurgia de mastectomia, nos anos 1950, embora todos dissessem que era impossível ela voltar a dançar. "Ele filmou todo o processo, o que o levou a ser chamado para compor a equipe de um hospital renomado em Nova York, mas quando descobriram que ele não tinha nenhuma formação acadêmica, retiraram o convite", relata Gláucia. A partir daí, ele entrou em uma profunda depressão.

De lá pra cá, algumas coisas foram reavaliadas e adaptadas. Descobriu-se que algumas posturas não faziam tão bem ao corpo. É o que se chama de abordagem contemporânea do pilates, praticado hoje a partir de vários métodos. O que Gláucia lamenta é que essa variedade abre nicho para que se inventem coisas que não têm nada a ver com pilates e cita como exemplo a prática da modalidade na água. "Isso não é pilates", diz, taxativa.

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