NEURÔNIOS EM DIA

Uma decisão pode ser influenciada pelo horário em que a tomamos

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postado em 29/03/2016 12:43 / atualizado em 30/03/2016 19:19

Edward Hopper, Mourning sun

*Por Ricardo Teixeira 

 

Quando o negócio é tomar uma decisão, parece que no começo da manhã temos uma tendência em acertar mais. Uma recente pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Copenhagen na Dinamarca mostra que com o passar do dia nossas reservas mentais, assim como as de nossos interlocutores, vão ficando menos eficientes. Vamos ficando mais rudes e distraídos, menos motivados e com uma menor capacidade de processamento de informação.

O estudo analisou o desempenho em testes de estudantes com idades entre 8 e 15 anos. Quanto mais cedo os testes eram aplicados, melhor era o desempenho dos alunos. Por outro lado, um intervalo de 20 a 30 minutos antes dos testes era capaz de “recarregar a bateria” a um nível maior do que as perdas ao longo do dia. Além disso, os pesquisadores mostraram que esse cansaço mental era mais proeminente entre estudantes com menor desempenho escolar, mas eles também eram os que mais se beneficiavam dos breaks.

Outro estudo analisou mais de 1000 decisões judiciais ao longo do dia e apontou que com o avançar do dia os juízes tinham menos chances de dar um parecer favorável a um prisioneiro. Os juízes começavam o dia com 65% de pareceres favoráveis chegando a praticamente zero perto da pausa para o almoço. Quando voltavam do almoço, repetiam os altos índices favoráveis do início da manhã e chegavam a quase zero no fim desse segundo turno. Muito curioso é o fato de que nenhum dos juízes tinha consciência de alguma deterioração da energia mental ou do efeito revigorante da pausa para o almoço.

Resultados semelhantes já foram descritos em outras circunstâncias. Médicos, por conta dessa fadiga mental, prescrevem mais antibióticos sem necessidade para infecções respiratórias agudas. Em provas de admissão em MBAs os avaliadores dão melhores notas no começo de uma sequência de entrevistas.

Pense bem então no horário que você vai marcar aquele encontro importante. Se tiver escolha, o início da manhã pode ser uma boa ideia.

 

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor de pós-graduação em divulgação científica e cultural na Unicamp.  

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