Entrevista

De Nova York para Brasília

A consultora de imagem Sílvia Scigliano fala sobre o estilo brasiliense, seu projeto NY Fashion Tour e sobre a explosão na consultoria de imagem

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postado em 01/04/2016 17:10 / atualizado em 01/04/2016 16:54

Divulgação/Crivorot e Scigliano
A consultora de imagem Sílvia Scigliano, 40 anos, conversou com a Revista sobre moda, consultoria de imagem e o estilo brasiliense. Sílvia é uma das quatro brasileiras a ter o C.I.C. (Certified Image Consulting), certificado mais reconhecido na profissão e é formada em moda pelo Fashion Institute of Technology (F.I.T). Ela morou em Nova York por cinco anos e depois de voltar ao Brasil está sempre trazendo as tendências internacionais e as mesclando com o estilo do brasileiro.

O que motivou sua vinda a Brasília?
Tenho uma ligação familiar com a cidade e gosto de divulgar o projeto, a NY Fashion Tour, pessoalmente. Fui convidada para falar sobre a iniciativa pelas meninas do blog Nariz Arrebitado e achei que Brasília tem campo para isso. As mulheres aqui são super arrumadas, até mais do que em São Paulo, a política é um ramo imenso para ser explorado em termos de consultoria de imagem. Acho que a capital é essencial no crescimento da consultoria de imagem, seja voltada para a moda, seja em outros campos.

Como você interpreta a relação do brasiliense com a moda e a própria imagem?
As mulheres se parecem com as de Minas Gerais, são super produzidas. Você vai em um churrasco e elas estão de salto alto, maquiadas, bem arrumadas. Isso é muito bacana porque demonstra uma autoestima elevada. Além disso, existe uma preocupação quanto à etiqueta, sabem receber, apresentar eventos mais formais. Acredito que esteja relacionado à grande presença de estrangeiros, expatriados e políticos na cidade. Acho que os brasilienses são mais preocupados com a imagem, no bom sentido.

E o estilo brasiliense?
Na minha opinião, é mais tradicional que o eixo Rio-SP. Grande parte das pessoas trabalha com política, em cargos públicos e em ambientes mais sérios, o que acaba refletindo em uma imagem pessoal mais formal. É um estilo elegante em termos de aparência e cordial, educado e cheio de etiqueta em termos de apresentação, em geral.

Que tendências da moda você acha que mais se encaixam nesse estilo?
Vimos muitos looks monocromáticos nas últimas semanas de moda, armaduras, capas, casacos meio oversized. O blazer também apareceu muito, trespassado, com quatro botões. Bem tradicional e que eu acho que tem a ver com a brasiliense. Em termos de macrotendência, acho que a grande influência da década é a sustentabilidade. E como isso reflete na moda? As pessoas buscam roupas de melhor qualidade e que durem mais, com menos estampas e que podem flutuar pelas estações.

Você fala muito sobre o tradicional, mas existe uma geração de brasilienses que traz uma moda mais moderna feita na cidade e para a cidade, usa a arquitetura e influência da capital nas peças e estampas. O que acha desse movimento?
A arquitetura de Brasília é super inspiradora. É maravilhosa, muito atual, muito moderna e ao mesmo tempo antiga, tem mais de 50 anos e ainda assim Brasília é contemporânea. Esse movimento é muito bacana. Os jovens sempre são potencial criativo e temos que segui-los, ver o que eles querem comunicar. Eu acho interessante essa vanguarda trazendo tendências que vem de encontro ao tradicional e se misturando com esse lifestyle. Temos que dar apoio, ainda mais porque a moda brasileira e consequentemente a brasiliense, ainda estão engatinhando.

O que é a NYFashion Tour?
É um projeto que criei com a minha sócia Márcia Crivorot a partir de uma demanda do brasileiro. Existe uma curiosidade sobre o mundo da moda de Nova York, como é estudar ou trabalhar lá e poucas pessoas têm essa oportunidade. Criamos esse projeto como uma viagem de experiência, um misto de curso e tour, para que as pessoas tenham essa chance. Levamos as clientes no backstage do New York Fashion Week, para galerias de arte e para as melhores lojas. Além disso, temos palestras sobre o que comprar, a melhor data, melhores promoções. Falamos sobre os designers que estão despontando, fugimos do mainstream.

Todos podem fazer o tour? São quantos dias de viagem?
Eram cinco dias, acrescentamos mais um agora. Fazemos duas vezes por ano, nas épocas da Fashion Week. A viagem é voltada para a moda, então as pessoas precisam ter alguma ligação, pode ser como consultor de imagem, estudante de moda, alguém que trabalhe na área como personal shopper, por exemplo. Queremos que a pessoa aproveite ao máximo, é ideal ter um nível de inglês intermediário. Além disso, só são autorizados maiores de idade e o máximo é de 16 pessoas.

No que consiste a consultoria de imagem?
É algo muito novo, principalmente no Brasil e passa por um momento de explosão no país. A consultoria de imagem ajuda a pessoa a se comunicar, seja por meio das roupas, seja pelo comportamento, seja pela forma de se apresentar. Não é somente sobre moda, mas sobre comunicação. Todas as empresas, por exemplo, precisam de uma consultoria de imagem, uma forma de controlar como elas são percebidas e muita nem sabem que isso existe. É importante trabalhar a imagem, seja da pessoa física, da corporação, de um consultório médico, por exemplo. As pessoas menosprezam o valor da imagem na comunicação e por isso precisamos regulamentar e falar sobre a consultoria de imagem.
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