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Cada vez mais popular na cidade, o parkour começa a atrair as mulheres

A modalidade mistura exercícios de mobilidade, equilíbrio, força e coordenação. O objetivo é se deslocar da forma mais eficiente possível

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postado em 10/04/2016 08:00 / atualizado em 07/04/2016 18:54

Praticantes de parkour sorriem em uma foto postada nas redes sociais. Alguns aparecem pendurados, outros fazendo estripulias. Mas um detalhe chama a atenção. Um olhar mais atento nota que, em um grupo de 22 pessoas, apenas três são mulheres. A foto ilustra a presença maciça de homens no esporte, mas mostra também que elas não se intimidam por serem minoria nesse território radical. Em contraste, uma outra imagem apresenta 16 mulheres sorridentes após um aulão de parkour.

 

Arquivo pessoal

 

As duas fotografias fazem parte do álbum de Poliana Sousa, professora da modalidade e mostram que, aos poucos, começa a se ensaiar um movimento de popularização do esporte entre as mulheres no Distrito Federal.

 

Poliana foi uma das primeiras brasilienses a entrar nesse universo. Em 2005, começou a praticar por conta própria e durante cinco anos encarou o parkour como um hobby. Em 2011, formada em educação física, percebeu que a modalidade precisava de professores que auxiliassem os iniciantes e se tornou uma das primeiras treinadoras da cidade.

 

O parkour consiste em um treino de transposição de obstáculos que integram o ambiente. Escalar e pular muros, saltar em escadas e corrimões e desviar de buracos e portões são alguns dos exemplos dos desafios dessa modalidade. "É uma atividade física que possui excelentes exercícios, mas os objetivos são as metas de deslocamento. A gente tem que se mover de um ponto o outro da melhor forma e da maneira mais eficiente possível", acrescenta Poliana.

 

Luca Baeta, treinador de parkour, também define a prática: "É uma atividade de ultrapassagem de obstáculos em que você usa apenas o seu corpo como ferramenta. Ele se adapta ao ambiente. Você aprende a fazer determinado percurso de forma mais livre, rápida e fluente", acrescenta.

 

Ao participar de uma aula pela primeira vez, o aluno vai se deparar com exercícios de força, coordenação, mobilidade e equilíbrio. "Temos uma aula de habilidades gerais para ver como a pessoa se movimenta. A partir de então, tratamos o aluno como iniciante, intermediário ou avançado", explica Poliana. Movimentos como andar em quatro apoios, exercícios de agarrar e de amortecimento de impacto são os mais comuns.

 

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

 

Poliana afirma que o treino para mulheres e homens não tem grandes diferenças. "O parkour independe de gênero e idade, qualquer pessoa pode praticar. A única diferença é que os exercícios vão ser adaptados ao nível da pessoa, seja homem, seja mulher, seja criança, seja idoso", completa.

 

Luca concorda com Poliana quanto às diferenças mínimas e acrescenta ainda que elas têm uma vantagem: na fase folicular do ciclo menstrual, que se inicia no primeiro dia da menstruação, a mulher tem alterações hormonais que aumentam a força. "Isso permite que a gente trabalhe movimentos mais intensos que ajudam a aluna a superar seus limites", explica.

 

A superação, aliás, é um aspecto importante na modalidade. "Eu via os meus amigos praticando e achava que nunca seria capaz de realizar algo parecido. Hoje, sei que tenho essa capacidade, sei que consigo quebrar os meus limites", afirma a estudante Natália Leite Colombelli, 18 anos.

 

Praticante assídua de parkour há um mês, a jovem conhece a modalidade há cerca de três anos e participou de vários aulões antes de se engajar de vez. "Faço outros esportes, e meus amigos sempre me incentivaram. Quando comecei, percebi uma conexão entre o parkour e minhas outras atividades. Trouxe muitas melhorias físicas e emocionais para a minha vida", afirma.

 

Os treinos ocorrem duas vezes por semana e, sempre que pode, Natália aproveita para praticar um pouco mais no fim de semana. Os limites continuam sendo testados e a estudante acredita que eles são mais emocionais do que físicos: o medo de cair e se machucar pode ser um dos grandes bloqueios para os novos praticantes. "Não precisa ter receio de começar, esse é o meu maior conselho", completa Poliana.

 

Profissionalização

Enquanto o parkour vai se profissionalizando, a quantidade de mulheres cresce no esporte. "Hoje, estamos no auge da presença feminina, não somente em Brasília, mas no Brasil inteiro", acredita Poliana. Luca considera que a profissionalização ajuda na adesão delas. "Acho que antes as mulheres tinham receio de se aventurar em algo que não sabiam o que era ou não tinham ouvido falar. Agora, com as aulas e treinos, estão mais empolgadas."

Esses cuidados e organização são recentes na modalidade, muito nova por si só. O parkour surgiu nos anos 1980 e só se popularizou em 1997, quando um de seus criadores, David Belle, deu entrevistas a emissoras de tevê norte-americanas. A Associação Brasileira de Parkour foi criada em 2005.

 

Zuleika de Souza/CB/D.A Press

 

Desde então, a segurança também aumentou. Os pioneiros aprenderam técnicas por meio da experimentação. Luca assistia a vídeos na internet e tentava imitar os movimentos. "Caí muito", ri. Agora, os professores têm um cuidado maior ao respeitar os limites de cada aluno e direcionar a prática. "Priorizamos a segurança acima de tudo e adaptamos os exercícios. Por isso, é difícil dizer que temos contraindicação. A pessoa com problema no joelho, por exemplo, pode praticar, mas vamos vetar os exercícios de impacto", completa Poliana.

"O parkour, além de uma atividade, é um estilo de vida. É estar sempre buscando a melhor forma de superar um obstáculo", finaliza Luca.

 


SERVIÇO

Parkour Brasília
Telefone: 9810-4000
Instagram: @parkourbrasilia

Parkour Generations
Site: parkourgenerations.com.br
E-mail: aulas@parkourgenerations.com

 

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