Medicina

Como a idade influencia o aparecimento de transtornos mentais

Difícil prever quando, e se, a mente poderá adoecer. No entanto, certos transtornos são mais comuns em determinadas fases da vida. É preciso estar alerta para identificá-los e procurar ajuda

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/04/2016 08:00 / atualizado em 22/04/2016 18:05

Falar em transtorno ou doença mental é debater um tabu. Ainda hoje, as doenças que acometem a mente causam estranhamento, medo e apreensão. O diagnóstico precoce é importante, mas nem sempre é fácil de ser identificado. O psiquiatra Carlos Guilherme Figueiredo, membro da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, explica que as doenças mais prevalentes, de modo geral, são a depressão, a ansiedade, a dependência química e o transtorno bipolar. Além de fatores genéticos e biológicos, o momento da vida — infância, adolescência, vida adulta ou terceira idade — pode influenciar na incidência de doenças específicas. "Fatores genéticos, associados a alterações neuroquímicas e estressores ambientais, são os principais responsáveis pela ocorrência dos quadros psiquiátricos", completa o médico.

Maure

Segundo Miria Benincasa, professora do programa de pós-graduação em psicologia da saúde, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e da Faculdade de Psicologia da Universidade de Taubaté (Unitau), uma explicação para as diferentes doenças, recorrentes em cada faixa etária, é a própria maturidade mental da pessoa. Traduzindo: esses males precisam que o "arquivo de dados", dentro da nossa cabeça, estejam organizados de uma forma propícia para se manifestarem, o que só acontece com a maturidade do intelecto.

Outra explicação seria a própria rotina. Dependendo de qual fase se esteja vivendo, das exigências enfrentadas e da pressão a qual se está exposto, as doenças podem, ou não, se manifestar. O tipo de transtorno também muda com a idade, assim como as obrigações e preocupações. "A psicopatologia infantil é diferente da do adulto, mesmo porque a criança está em formação, em amadurecimento de seus recursos e funções", justifica Miria Benincasa. Segundo a psicóloga, os transtornos do neurodesenvolvimento, como o transtorno do espectro autista e déficit de atenção, tendem a ser diagnosticados pela primeira vez na infância, mas não necessariamente desaparecem na vida adulta. "A esquizofrenia, por exemplo, raramente ocorre pela primeira vez antes dos 10 anos ou após os 50, embora avance até a terceira idade."

A adolescência é marcada por excesso de transformações: corporais, sociais, de interesses. "Na vida adulta, vem a demanda por trabalho excessivo, busca por dinheiro e estabilidade. As exigências sociais e familiares, a vida na cidade grande, por exemplo, favorecem o surgimento de sintomas ansiosos", lista a psicóloga Miria Benincasa. A terceira idade, infelizmente, também não está livre dos transtornos mentais. Nesta etapa da vida, em que há o distanciamento dos filhos, a morte de amigos e a crescente perda de habilidades e de potencialidades, a psicóloga diz ser comum o surgimento do transtorno de humor depressivo.


Maure

 

A importância do diagnóstico

Diagnosticar e, claro, tratar os transtornos mentais o quanto antes é imprescindível para o bem-estar do paciente e de seus familiares. As patologias da mente são responsáveis por graves prejuízos funcionais e geram forte impacto social, econômico e educacional. "Essas doenças em atividade levam ao comprometimento cognitivo, especialmente de atenção e de memória, além de estarem associadas a doenças clínicas, como obesidade, hipertensão e diabetes", reforça o psiquiatra Carlos Figueiredo.

 

Para cada fase, um risco

Infância


Chamadas de transtornos do neurodesenvolvimento, as doenças mentais das crianças, como o nome sugere, ocorrem durante os primeiros anos do crescimento.

A investigação é especialmente complicada em pacientes de pouca idade. Os pequenos não passam por testes laboratoriais, apenas por um detalhado exame clínico. Ainda assim, antes dos 18 anos, não é possível confirmar nenhum diagnóstico com absoluta certeza. De acordo com Carlos Guilherme Figueiredo, psiquiatra membro da SBP, as doenças mais comuns nessa fase são as deficiências intelectuais, os transtornos do espectro autista, o transtorno de deficit de atenção com hiperatividade e os transtornos específicos do aprendizado.

 

Leia a reportagem completa na edição nº 571 da Revista do Correio.  

 

 

 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.