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Em cada esquina, um amor

Nesta edição, mostramos namoros que foram verdadeiros achados. Começaram do nada, de um encontro fortuito, mas resultaram em histórias eternas

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postado em 05/06/2016 08:00 / atualizado em 02/06/2016 17:25

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
A primeira vez que Paulo viu Nélia, em 1981, não foi em uma situação agradável. A jovem, então com 24 anos, chegava de um voo de Manaus e a mala não veio com todas as outras na esteira. Paulo era o agente da Varig responsável pelas bagagens extraviadas. Com profissionalismo, ele deu início ao processo de busca. Não prestou muita atenção se a passageira era bonita. Nélia, em contrapartida, reparou que o agente era bonitão, charmoso, meio clássico, mas roía as unhas.

Naquela época, não havia celular. Paulo precisou ligar para o trabalho de Nélia para contar as novidades sobre o sumiço. “O que me chamou a atenção foi a voz. Uma voz doce, boa. Eu não lembrava da fisionomia dela...”, conta o aposentado, hoje com 62 anos. Nessa história de “e aí, achou minha mala?” e conversinhas engraçadas no telefone, deu química. “O papo tinha tudo a ver, ele me tratava muito bem, era muito cuidadoso”, lembra a aposentada.

Nélia não entendia o sentimento pelo moço do telefone. Ela se lembrava dele clássico, enquanto ela era bem moderninha. “Ele ficava sempre me ligando e me chamando pra ir lá no aeroporto pra falar sobre a mala. Eu ficava enrolando não sei por quê. Eu sabia pela conversa que o dia que a gente se encontrasse, iríamos namorar”, explica. Nélia viajou para encontrar a família em Unaí e a conversa ficou em suspenso.

Quando voltou, recebeu outro telefonema de Paulo. Desta vez, quase um ultimato. Ela precisava ir ao aeroporto para falar sobre algo muito importante da mala, assinar uns papéis. Não era nada disso, era só um pretexto. Quando Nélia chegou, era exatamente o que ele esperava. Naquela época, o aeroporto era aberto. Ficaram ali conversando e olhando os aviões. O menos importante era a história da bagagem. Saíram do aeroporto para tomar um chope. No fim daquele ano, já estavam casados. “Ele era a pessoa certa.”

A mala nunca foi encontrada. Apesar de o chefe de Paulo brincar que ele estava escondendo a bagagem só para conversar com Nélia, o objeto foi dado como roubado. Nélia recebeu uma indenização, mas, nessa história, ganhou mais do que perdeu. Ganhou 33 anos de companhia, dois filhos, três netos, e o resto da vida com Paulo.

No fim das contas, a verdade é que não existe fórmula para encontrar um grande amor. Não necessariamente vai ser alguém conhecido, ou alguém do trabalho, ou alguém que estudou junto e nunca mais se afastou. Nos assuntos do coração, o acaso é ingrediente dos mais importantes para que a receita dê certo. O amor pode estar na parada de ônibus, no grupo da igreja, no aeroporto, na aula de forró, na academia, no rádio, no caixa do banco e até na emergência do hospital. Pode aparecer em qualquer idade, em qualquer lugar, a qualquer hora. Neste Dia dos Namorados, contamos histórias que contaram com uma mãozinha do destino, como a de Nélia e Paulo.

Tremilique no coração

Zuleika de Souza/CB/D.A Press


Anna Carolina Cardoso, 21 anos, e Caio Henrique Castela, 22, se conhecem desde os 4 anos de idade. As duas famílias sempre foram muito envolvidas na igreja, e o ministério das crianças acontecia na casa de uma tia do estudante. Apesar de terem a mesma idade, nunca tiveram o mesmo grupo de amigos. Até os 14, sabiam que o outro existia, mas nunca tinham se falado. Nessa época, a mãe de Caio, que é militar, foi transferida para o Rio de Janeiro.


Anos depois, a família voltou a Brasília. Caio passou para matemática na UnB e retomou o grupo da igreja. “Quando eu vi ele fazendo grafite em um acampamento da igreja, achei muito gatinho, me interessei e comecei a observar. Todo mundo gostava do Caio; Caio ajudava todo mundo. Mas eu não tinha coragem de ir lá falar”, lembra Carol. Apesar da discrição, Caio percebeu. “Ela tem personalidade forte e se impõe com todo mundo, mas sempre foi muito simpática comigo”, conta. “Eu não conseguia mandar nele, me dava um tremilique no coração”, confessa a jovem.


Um dia, a coragem apareceu. Começaram a dividir o círculo de amizades e sair juntos. Ela conta que nunca tinha sentido nada do tipo, era um sentimento muito forte. “Fui me apaixonando, e quando assumi para mim mesma o que estava sentindo, não consegui esconder. Ficava agoniada porque achava que ele não tinha percebido. O Caio fazia uns carinhos e logo virava melhor amigo, eu ficava doida”, lembra.


Enquanto isso, o estudante ia só observando. Percebeu que a personalidade forte dela funcionava como uma proteção, mas que, no fundo, era muito doce. Foi se interessando, mas resolveu testar para ter certeza de que não era coisa da cabeça dele. Marcaram um encontro no Pontão em que o assunto se tornou inevitável. Como dois amigos furaram, eles se viram sozinhos pela primeira vez. Depois de jantar, sentaram-se no deck para conversar. “Não fui nada sutil: perguntei logo se ela estava gostava de mim”, conta. Carol quis abrir um buraco no chão, desaparecer de tanta vergonha, mas exultou por dentro. “Ela respondeu que ia ser direta, que estava mesmo afim de mim, e que eu podia fazer o que eu quisesse com essa informação”, detalha Caio. E nada de beijo.


No dia seguinte, foram para um show e o romance já era visível. Dias depois, Caio pediu permissão para a mãe de Carol para iniciar o namoro. Porém, dois meses depois, o estudante passou para desenho industrial, o curso que sempre quis fazer, no Rio de Janeiro. “A gente se sentou e conversou sobre o que fazer. Eu senti que a gente tinha que encarar. Tivemos algumas crises, passamos quase um semestre sem nos vermos. Aprendemos muito”, revela a jovem.


Já são três anos e cinco meses de relacionamento. Caio ainda mora no Rio. A distância foi difícil, mas os dois aprenderam a lidar com a situação. Fazem planos para o futuro, querem se casar e morar na praia.

 

Leia mais na edição nº 577 da Revista do Correio.     

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